A nossa guerra perdida
Como se sabe, George W. Bush enfrenta problemas sérios de popularidade motivados, entre outras razões, pela guerra no Iraque - onde morrem, em média dois soldados norte-americanos por dia.
Ora, por cá, há quem ache perfeitamente natural que, só numa semana e só em Lisboa, morram 23 pessoas atropeladas (mais de três por dia!), algumas das quais em passadeiras para peões!
Como eu não acho natural (e muito menos aceitável), aqui deixo algumas questões:
Quantos desses «desastres» terão sido verdadeiros «acidentes» - como a maior parte das pessoas lhes chama?
Quantos poderiam - e deveriam - ter sido evitados?
E, já agora, quanta gente foi condenada, nos últimos anos, por crime rodoviário?
Como é que as autoridades (governamentais e municipais) explicam que se facilite a velocidade elevada onde ela devia ser baixa e, inversamente, obriguem a velocidades baixas onde deviam ser elevadas?
Para ilustrar este último caso, aqui fica uma imagem de uma situação já mil vezes denunciada sem que se veja qualquer intenção séria de a alterar:
Uma mão-cheia de automóveis particulares (neste exemplo vê-se até um com o logótipo da CML!!!) estacionam impunemente nas paragens de autocarros, obrigando estes a parar nas faixas de rodagem. Tanto quanto se percebe, os gigantescos engarrafamentos que provocam nas horas de ponta não preocupam minimamente quem os devia impedir.
Mas trata-se de situações mil vezes referidas e denunciadas.
Tudo continua (e continuará) na mesma porque quem as deveria reprimir não mostra qualquer sensibilidade para estes problemas que afectam o comum-dos-mortais.
E, pelo que vamos conhecendo dessa gente, não há que alimentar esperanças - nem grandes nem pequenas!
Publicado no "Público-Local" em 21 Dezembro 2005 e no "metro" de 22 Dezembro 2005
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