Cartas para a Imprensa


O regresso do cuspo

Em carta publicada no passado dia 29, um leitor do «DN» queixava-se de que os CTT não forneciam envelopes pré-franquiados para correio normal.

Impõe-se uma pequena correcção: é que eles já existiram...

Agora, retrocedendo vários anos, voltamos a comprar envelopes e selos avulso; além disso, nem sempre as estampilhas são autocolantes - hoje mesmo tive de recorrer ao velho cuspo, na ausência dos simpáticos frascos de goma-arábica que, pelos vistos, ainda verei um dia de regresso aos guichés.

Por espantoso que pareça, a página dos CTT na Internet diz que esses envelopes podem ser adquiridos (em pacotes de 10 unidades e até em três formatos - DL, DP e C5) em qualquer Estação - o que, garanto, não é verdade, como facilmente pode confirmar quem, em Lisboa, se dirija, p. ex., às estações da Av. de Roma ou da Av. João XXI.

De facto, enquanto, em alguns aspectos, os CTT melhoraram os seus serviços (instalações, atendimento, ciber-pontos, criação do correio-verde, etc), em muitos outros regrediram.

E já não falo dos tempos em que havia distribuição de correspondência mesmo aos domingos. Refiro-me a coisas mais actuais:

Os quiosques automáticos de vendas de selos estão, em grande percentagem, avariados - e, mesmo os que o não estão totalmente, exigem quase sempre dinheiro trocado. Quanto ao uso de porta-moedas Multibanco ou do cartão Net-Post, há anos que não encontro um único quiosque que os aceite, pois até a ranhura onde era suposto eles serem inseridos está quase sempre entupida. (A propósito: porque será que nos balcões dos CTT não são aceites os cartões Multibanco nem sequer esse famigerado Net-Post que eles mesmo emitem e que custa mais de 5 euros?!).

Os simpáticos autocolantes amarelos que nos permitiam, educadamente, rejeitar a publicidade-não-endereçada também deixaram de ser distribuídos nas Estações. Segundo nelas me informaram, quem os quiser terá agora de os pedir à DECO, decisão que se calhar não é alheia ao facto de, agora, haver funcionários dos Correios a distribuir publicidade de porta em porta!

Mas o que mais lamento foi o desaparecimento de um serviço que em tempos houve e que muito utilizei:

Através da Internet, e por um preço bastante acessível, podiam-se enviar cartas em qualquer dia e a qualquer hora sem ter de se sair de casa:

Depois de, em www.ctt.pt, se abrir uma conta e fazer um pequeno depósito, era logo possível escrever a carta, endereço e remetente (podendo escolher-se o tipo de letra, a formatação, etc.); em seguida, bastava fazer «enviar», que os CTT se encarregavam do resto: imprimiam, introduziam a carta num envelope normal, e a entrega era feita no destinatário poucas horas depois como uma carta vulgaríssima.

Foi, aliás, recorrendo a essa magnífica possibilidade que eu consegui contactar uma pessoa de Castelo de Paiva quando caiu a ponte de Entre-os Rios.

O que é feito desse utilíssimo serviço? Não faço a menor ideia. Em compensação, sei muito bem onde se podem comprar coisas tão úteis como os livros de José Mourinho...


Publicado no "DN" em 4 Outubro 2005, em destaque, mas com o título "Correios bem podem melhorar os serviços" e com os cortes indicados em itálico

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