Cartas para a Imprensa


A guerra dos media

No seu magnífico romance policial «Sol Nascente», Michael Crichton faz girar a acção em torno de dois temas muito interessantes:

A tecnologia das imagens digitais e a invasão dos EUA pelo capital japonês.

Neste último aspecto, quando os norte-americanos se revoltavam contra isso, os nipónicos respondiam, com candura mas com toda a lógica:

«Se não querem que compremos, porque é que vendem?»

Claro que isto vem a propósito da compra da TVI pelos espanhóis, numa era em que o controlo dos media é muito mais importante e eficaz do que o de muitos governos.

Estes passam, mas os outros ficam, e têm uma força de persuasão sobre milhões de pessoas que nenhum executivo ou partido têm.

Acresce ainda que, sendo um poder não-eleito, controlar uma cadeia-de-televisão não é exactamente o mesmo que possuir uma cadeia de «Lojas-dos-300»...

Pode argumentar-se que o dinheiro não tem pátria e que as acções estão na Bolsa para quem as quiser (e possa) adquirir - pelo que até a Associação de Palhaços do Circo Barney pode comprar TVs, rádios e jornais.

Sim, é verdade; mas será tranquilizador?

NOTA: O curioso é que a TVI nasceu, precisamente, porque uma multidão de crentes «chorava baba e ranho» para ter um canal de TV!

Onde já vão tão pias intenções?


Publicado no "DN" em 10 Setembro 2005

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