Cartas para a Imprensa


Distrair o paciente

Jorge Sampaio fez um apelo para que não se fale tanto de crise. Em resposta, e com ar de quem descobriu a pólvora, Marques Mendes veio dizer que «Não é por se deixar de falar dos problemas que eles desaparecem».

Ora isso, que parece uma banalidade que qualquer garoto de escola diria, enferma de um grave erro - que demonstra uma imperdoável falta de cultura-geral do líder social-democrata.

É que toda a gente (menos ele, pelos vistos) já ouviu falar dos «placebos», pseudo-remédios sem qualquer substância activa, mas que - por espantoso que pareça - podem fazer maravilhas: convencido de que está a tomar um remédio verdadeiro, o cérebro do doente reage positivamente e, através de um mecanismo ainda desconhecido da Ciência, as melhoras (e às vezes até a cura) são possíveis - e muito mais frequentes do que se poderia pensar!

Mas voltando ao caso em apreço:

Então não é do senso-comum que distrair um paciente (afastando-lhe a doença do pensamento) é um bom caminho para ajudar a uma cura rápida?

NOTA IMPORTANTE: Como também se sabe, umas boas gargalhadas ajudam, e muito - terapia essa que, em Portugal, é ministrada por pessoas como Alberto João Jardim, a quem o país devia estar, por isso, infinitamente grato.


Publicado no "DN" em 25 Julho 2005

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