Cartas para a Imprensa


Um Agosto a seu gosto

Embora, como se sabe, as promessas eleitorais não sejam coisa que tire o sono a muita gente, o Governo está de roda de um compromisso particularmente difícil de cumprir: prometeu que as férias judicias passariam de dois meses para um, mas veio agora a saber que não será assim tão fácil. É que, segundo o parecer que ele mesmo pediu, os afectados têm direito a 28 dias-úteis de férias, enquanto o mês de Agosto só tem 22.

Mas Alberto Costa não parece preocupado com isso e, ao mesmo tempo que nos informa que ainda não leu esse parecer, declara que as promessas são para cumprir.

No entanto, não nos riamos, pois o problema tem solução. Eu explico:

Toda a gente sabe que os meses de Janeiro a Dezembro são alternadamente «grandes» (com 31 dias) e «pequenos» (com 28, 29 ou 30 dias), com uma única excepção: a Julho (que tem 31) segue-se Agosto (também com 31).

Ora, em tempos li que isso havia sido uma exigência do imperador Augusto (que teria dado o nome a Agosto), que não queria ficar atrás de Júlio (que teria dado o nome a Julho).

A crer na história, ele mandou alterar o calendário, decretando que o «seu mês» tivesse mais um dia (retirado a Fevereiro) e pronto.

Verdade ou não, aqui está a chave do problema: decretar que Agosto passa a ter 28 dias-úteis - à custa de Fevereiro, claro, que já deve estar por tudo.


Publicado no "Público" em 24 Julho 2005

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