Cartas para a Imprensa


O arrastão e o pescador (*)

Cheguei a ler que o número de envolvidos no «arrastão de Carcavelos» tinha sido de 2000. Porém, a breve trecho esse número baixava para 500, depois para 400, e (apesar de haver quem garantisse que o número real era ZERO), acabou por estabilizar em 50, segundo um comunicado da PSP onde, por sinal, vinha precedido do saboroso advérbio «Só».

Ora, segundo o «Expresso», a mesma Polícia (que, como se sabe, tem funções de investigação) veio esclarecer que havia cedido a pressões da Comunicação Social e que a informação (agora dada como falsa) tinha tido origem - saboreie-se a prosa! - num «polícia que não soube consubstanciar exactamente o que tinha acontecido».

Pelos vistos, estamos perante a encenação da velha fábula:

«Pesquei ontem um peixe do tamanho de um elefante!» - dizia um pescador para o companheiro.

Mas foram andando, andando, até que o amigo lhe disse:

«Olha, vamos atravessar uma ponte muito especial. Quando lá passa um mentiroso, ela desaba».

Como bem se sabe, à medida que eles se iam aproximando da ponte, o pescador ia corrigindo:

«Bem... se calhar era só do tamanho de um boi... só do tamanho de um cão... só do tamanho de um rato...»

Até que, ao entrarem na ponte, ele desabafou, já em pânico:

«Olha, para falar verdade... não apanhei peixe nenhum!»


Publicado no jornal "metro" em 12 Julho 2005
(*) No mesmo dia, uma versão diferente (embora com o mesmo título) foi publicada no "Diário Digital"

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