Cartas para a Imprensa


Lisboa e «Os 7 Magníficos»

1 - NO PASSADO dia 5 assisti, na SIC-N, a uma interessante entrevista de Maria João Avillez a Carmona Rodrigues - é sempre agradável ouvir uma conversa entre pessoas simpáticas, que falam bem e escorreitamente, e se mostram à-vontade em todos os assuntos sobre os quais se debruçam.

Fiquei, pois, a saber tudo sobre o Parque Mayer, o Teatro de Revista, o Túnel do Marquês, o Casino de Lisboa e o Pavilhão de Portugal. O pior foi quando a entrevistadora abordou assuntos mais comezinhos - como os buracos nas ruas, o estacionamento selvagem e o trânsito caótico. E, aí, as respostas não foram nada animadoras:

Quanto aos buracos, eles são abertos (sempre) e fechados (às vezes) por inúmeras entidades que não têm nada a ver com a CML - esta apenas faz o que pode.

Quanto ao resto, quando eu esperava que Carmona Rodrigues fosse debitar a velha ladaínha de que «não há meios que cheguem», informou-nos que o problema é que há - pasme-se! - entidades A MAIS: a Polícia Municipal, a Divisão de Trânsito da PSP e a EMEL o que, pelos vistos, justifica a explosiva mistura de descoordenação, desmotivação e incompetência que todo o lisboeta conhece (e bem...) há demasiado tempo.

Fomos também informados, pelo entrevistado, que se trata de um assunto que depende do Governo - mas ficámos na ignorância do que é que ele fez quando lá esteve...

2 - HOJE, e como sucede com frequência, fui acordado pelo som lancinante de sirenes do 112. A cena, apesar de habitual, é sempre angustiante: ambulâncias que, presas no meio de dezenas de carros, não conseguem passar.

O que sucede é que, tratando-se de uma das principais entradas de Lisboa, a avenida onde eu moro tem sempre muito trânsito, cuja fluidez raramente é boa; e, para ajudar, há uma meia-dúzia de cidadãos que estacionam invariavelmente os seus automóveis numa paragem de autocarros. Quando estes chegam (por vezes aos dois e aos três), têm de ocupar uma das duas faixas-de-rodagem... e o resultado é o que se imagina.

A esses indivíduos que, sozinhos, conseguem paralizar completamente uma das principais entradas da Capital, já lhes chamam «Os Sete Magníficos»:

São seis automobilistas a que se junta, muitas vezes, um «Sétimo Magnífico» (que nem sempre é o mesmo):

Um agente da Divisão de Trânsito da PSP que costuma estar ali a 30 metros mas - e apenas - de serviço a umas obras...


Publicado no "Público" de 8 Junho 2005 (na secção "Local") e no "DN" de 13 Junho 2005 (mas só a 1ª parte)

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