Cartas para a Imprensa


Incúria sem cura?

Já se sabe: quando há estatísticas sobre desgraças (sejam elas o analfabetismo, a sida ou outra qualquer) o nosso país aparece sempre à cabeça. É claro que as causas de muitas delas são difíceis de combater - por isso, o que mais revolta são as evitáveis, como esta recentemente noticiada:

«Portugal é o país da U. E. onde mais passaportes são roubados (uns 7000, ultimamente, em consulados e em Governos Civis!), havendo fundados receios de que possam vir a ser utilizados por terroristas»

Pergunta-se: haverá incúria a mais ou cofres a menos? Ou será que, à míngua de pessoal, esses organismos estão em regime de «self-service»?!

O ministro dos Negócios Estrangeiros já disse que a notícia não era verdadeira - possivelmente, em vez dos 7000 foram apenas 700, quiçá 70, ou até só 7. Mas, mesmo que tivesse sido só meia-dúzia, já era preocupante, pois Portugal poderia ter dado uma preciosa ajuda a outros tantos terroristas - e o 11 de Setembro mostrou que não são precisos muitos para empurrarem o Mundo para a guerra.

Tenhamos em conta que Bush está a ser acusado de, por causa do Iraque, descurar a segurança interna - permitindo que organizações como a Al Qaeda se recomponham - pelo que é natural que passe a desconfiar de casos como o referido.

Assim, se vier a haver uma nova Cimeira dos Açores (para anunciar que vai ser invadido mais um país suspeito de auxiliar o terrorismo), o melhor é Durão Barroso fazer-se de desentendido e não pôr lá os pés - é que «esse país» pode muito bem ser Portugal!


Publicado no "DN" de 6 de Agosto de 2003

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