Cartas para a Imprensa


Decisões aéreas

Decerto já muita gente se riu com as peripécias do Aeroporto da Ota:

Começou por ser prioritário (no tempo do governo do PS); depois, e segundo o programa eleitoral do PSD, deixou de o ser (foi a rábula das criancinhas e das listas de espera); voltou a ser importantíssimo pouco tempo depois de o mesmo partido chegar ao poder; e agora, com um novo ministro do mesmo PSD, já não é urgente outra vez.

Para quem acusava o governo de António Guterres de não decidir nada, não estamos mal: este, pelos vistos, até o faz demais - tantas opiniões e decisões «alternadas», em pouco mais de um ano (e sobre uma obra de tal importância), é «obra»!

Entretanto, e talvez por se tratar de um aeroporto, já «voaram» 140 milhões (de contos ou euros?) - o que, segundo diz quem sabe, não é grave, pois «trata-se de uma gota de água».

Não sei o que pensará a senhora Ministra das Finanças acerca de gotas de água deste tamanho, mas convinha que alguém assentasse ideias de uma vez por todas. Palpita-me que, na opinião do Zé-pagante (a quem se pedem paciência, compreensão e sacrifícios - além de que pague os impostos a tempo e horas), esta história está muito mal contada - digamos que não bate a «b' Ota» com a «perdig' Ota»...


Publicado no "DN" de 10 Jun 2003 com o título "O folhetim do Aeroporto da Ota" e com a eliminação da parte em itálico

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