Cartas para a Imprensa


«Fora-o-árbitro!!»

À data em que escrevo, os norte-americanos já deram por terminada a guerra no Iraque sem terem conseguido nenhuma das três coisas que lhes serviram de pretexto para ela:

Capturar Saddam ("vivo ou morto" - e tão amigos que eles foram!), provar as ligações do "regime" com a Al Qaeda e a existência de armas de destruição maciça.

Quanto a estas últimas, passa-se até uma coisa curiosa:

Sabendo nós quem as forneceu ao Iraque, temos de compreender que os norte-americanos garantam que hão-de aparecer... Mas é mais difícil de compreender por que é que não querem (nem por nada!) a presença de inspectores independentes - antes fazem questão de ser, ao mesmo tempo, "jogadores" e "árbitros" da barafunda em que se meteram.

Pensando bem, isso é uma grande ideia, que deve ser transposta para o futebol português - cujos treinadores e dirigentes passam a vida a atribuir às arbitragens as culpas da incompetência própria e das suas trôpegas equipas.

Que tal, como fizeram os americanos, passarem a ser os jogadores a arbitrar os jogos? Os treinadores das duas equipas até podiam fazer de juízes-de-linha...


Publicado no "Correio da Manhã" de Moçambique em 4 de Maio de 2003; e no "Diário de Notícias" de 6 de Maio com o título «Quando se é juiz em causa própria»

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