Cartas para a Imprensa


A inteligênCIA

Nas guerras actuais há algumas expressões de que não gosto mesmo nada:

Bombas Inteligentes
Danos Colaterais
e
Bombardeamentos Cirúrgicos.

As primeiras, fazem-me duvidar da inteligência de quem as concebe e usa (USA?!); os segundos são um eufemismo insuportável; os últimos, por fim, só me fazem lembrar os hospitais aonde (e com sorte!) vão parar as vítimas dos anteriores.

Mas há uma outra expressão a juntar ao léxico do horror hipócrita: a chamada Ajuda Humanitária quando administrada por quem é, precisamente, o responsável directo das desgraças.

Que história é essa de cortar a água e a comida a uma cidade e depois levar garrafinhas de litro-e-meio e pacotinhos de farinha aos habitantes sedentos e famintos?!

Se não corresse o risco de lançar achas para a fogueira de uma guerra que está a tomar perigosos contornos de confrontação religiosa, apelaria: parem com isso, "por amor de Deus"!


Publicado no «Correio da Manhã», de Moçambique, em 2 de Abr 2003

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