Cartas para a Imprensa


Televoto e amor de mãe

Já há muitos anos que qualquer português que tenha acesso à Internet ou ao Multibanco pode, em Caminha, transferir para Vila Real de Santo António o dinheiro que lhe apetecer, não lhe passando pela cabeça que ele possa ser interceptado e ir parar a outras mãos.

No entanto, já terá de se meter à estrada para votar numa qualquer eleição porque alguém, em Portugal, mandou para o lixo todo o trabalho que já havia sido feito no sentido de levar o nosso país a emparceirar com os que, por esse mundo fora, já usam o voto electrónico há muito tempo.

Mesmo que se aceitem todas as desconfianças em relação a essa tecnologia, não se compreende que uma pessoa não possa votar numa qualquer Assembleia de Voto do país; além de que nem todos poderão fazer como um amigo meu que, tendo dado consigo bloqueado a 700 km de casa, resolveu o seu problema de uma forma expedita: tendo sabido que a mãe decidira, irredutivelmente, abster-se, combinou com ela o seguinte: ele evitava a longa viagem, e a boa senhora deslocar-se-ia à Assembleia de Voto... votando por ele. Ora digam lá que amor de mãe não é bonito!


Publicado no "Destak" em 14 Fevereiro 2007

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