Cartas para a Imprensa


A mudança e a dança

Recentemente, interpelei alguns agentes da Divisão de Trânsito da PSP de Lisboa, perguntando-lhes porque é que não faziam nada contra os carros estacionados em cima dos passeios que estavam ali mesmo debaixo do nosso nariz.

Todos argumentaram com a «falta de meios» (blocos de multas? Esferográficas? Bloqueadores? - Fiquei sem saber...), mas um deles foi mais claro e disse-me que as instruções que os agentes têm são no sentido de NÃO ACTUAREM contra essas infracções (salvo a pedido...), mas apenas contra as que afectam a fluidez do trânsito. E mais disse que, no entender dos seus superiores, o ordenamento da cidade é uma tarefa que não compete à PSP - a CML para isso, tem a EMEL e a Polícia Municipal.

Seja. Mas como a primeira, até agora, só tem actuado nas suas zonas, e a segunda tem menos de metade dos efectivos necessários, o resultado está à vista em toda esta cidade de onde, cada vez mais, só apetece fugir. Por isso, é com prazer que vejo que as competências da EMEL passaram a ser alargadas - assim as saiba honrar.

Quanto à reacção negativa de alguns sectores da PSP, só me faz lembrar a história da senhora que estava a dançar com um cavalheiro que passava o tempo todo a pisá-la:

- Diga-me, o senhor gosta de dançar?

- Adoro!

- Então porque não aprende?


Publicado no "Público/Local-Lisboa" em 27 Outubro 2006

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