Cartas para a Imprensa


Mal por mal...

Nas últimas eleições para um município de uma pequena cidade onde vou com frequência, a Oposição decidiu afixar por todo o lado uns curiosos cartazes, divididos em duas partes:

Do lado esquerdo constavam, devidamente ilustradas com fotografias, as promessas que o executivo cessante fizera para a campanha eleitoral anterior. Do lado direito, podiam ver-se outras, dos mesmos locais, mas tiradas quatro anos depois.

Tratava-se, sem excepção, de imagens de terrenos degradados, podendo ler-se, a legendar as do lado esquerdo, promessas como «AQUI VAMOS FAZER O NOVO CAMPO DE JOGOS!»; em contraponto, e tendo como legenda apenas a data, uma outra do mesmo local, onde só os excrementos de cão eram diferentes.

O curioso da história é que, tratando-se de verdades que pude confirmar, os «vendedores de mentiras, ilusões e promessas» foram reeleitos e com confortável maioria, pelo que eu, intrigado com o facto, pedi a alguns munícipes que mo explicassem.

As respostas não variaram muito, e em todas estava subjacente a convicção enraizada de que «eles são todos iguais».

No entanto, a melhor veio sob a forma de uma variante ad-hoc do ditado setecentista «Mal por mal, antes Pombal»:

«Aldrabão por aldrabão, deixa lá estar os que estão» - frase que, segundo me asseguraram, estava incorrecta... mas só em termos gramaticais.


Publicado no "Público/Local-Lisboa" em 28 Setembro 2006 e no "Destak" em 3 Outubro 2006

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