Cartas para a Imprensa


O «M. G. I.»

Em tempos que já lá vão, um engenheiro meu conhecido, em início de carreira, deparou-se com um inesperado problema numa obra que tinha a seu cargo: um determinado equipamento, não muito sofisticado mas imprescindível, nunca mais era entregue.

Aflito e pressionado pelas circunstâncias, recorreu então ao seu velho e sábio chefe, que o escutou com paternal atenção - mas só até ao momento em que ele colocou a tónica na «culpa do fornecedor»; nessa altura, e para sua surpresa, o esforçado jovem teve de enfrentar um sorriso sardónico e ouvir o que não esperava:

«Meu caro, na nossa actividade, e salvo os casos de invasão de marcianos ou catástrofes naturais, os responsáveis somos sempre nós. Eu sei que "a teoria da culpa do fornecedor" vem no "Manual do Gestor Incompetente", mas trata-se de uma obra que não se recomenda».

Lembrei-me dessa velha história a propósito de uma outra - esta bem actual:

Veio a saber-se, há dias, que algumas corporações de bombeiros ainda estavam sem «kits» individuais de combate ao fogo (que incluem farda, capacete e tenda anti-fogo) e que, segundo António Costa, «a responsabilidade [desse facto] não é do Estado nem dos Governadores Civis, mas sim dos fornecedores dos equipamentos». Que diabo! Lá porque estamos em plena época balnear... temos de aceitar que nos atirem areia para os olhos?!


Publicado no "Destak" em 4 Setembro 2006 com o título (enganado) "O fogo e os maus actores"

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