Cartas para a Imprensa


Os pesos e as medidas


«Não há melhor profeta do que um convertido» é um aforismo que parece ser verdadeiro - tanto para o novel deputado do PS (que, assim que chegou ao Parlamento, sugeriu que se varresse de imediato a «talha guterrista»), como para os ex-seguidores de Mao e Staline (que agora não descansam enquanto houver um ditador à face da Terra).

Se o primeiro caso é para ser tratado pelo Departamento de Limpeza lá do Partido, já o mesmo não se pode dizer do segundo, pois afecta «alguns» milhões de pessoas e deve ser tratado pelo «Departamento de Higiene» das Nações Unidas.

Mas, dado que é óptima a ideia de se acabar com os ditadores, porque é que os americanos não começarão pelo seu vizinho Fidel - que está a um tiro de fisga? Será porque ainda não se descobriu como fazer petróleo a partir da cana-do-açúcar ou da planta do tabaco?

De qualquer forma, antes de ir aumentar o efeito-de-estufa lá para os lados do Golfo, não seria de «pôr à sombra» os que meteram Pinochet no poder, os que armaram o Iraque (na guerra contra o Irão) e os que puseram os talibãs a mandar no Afeganistão (dando o calorzinho necessário para chocar o ovo da Al-Quaeda)?

Depois, então, podia-se tratar dos que têm opiniões muito sui-generis sobre direitos humanos (estou a pensar na Arábia Saudita, na China, no Paquistão...) e, já agora, dos que desprezam as resoluções da ONU (alô, Israel!).

Se o projecto é assim abrangente... «vamos nessa»!


Publicado em «Cartas» (com destaque), no Diário de Notícias de 8 de Fevereiro 2003.

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