Cartas para a Imprensa


Uma ponte real

Júlio Dantas, no seu conto «A Barba de El-Rei», romanceia as últimas horas de D. João I jogando com a coincidência de ele ter morrido no dia do 48º aniversário de Aljubarrota. Talvez o autor pudesse ter evitado dizer que era também a data do nascimento do monarca - que, na verdade, foi em 11 de Abril; mas isso agora não tem importância e, como adiante se verá, até dá jeito acreditar no autor de «A Marcha Triunfal» quando ele afirma que a Grande Batalha se deu numa segunda-feira. E explico porquê:

A crer em Fernão Lopes, D. João, juntamente com os seus conselheiros, recusava-se a cortar o passo aos castelhanos que entravam no país - pretendendo, em alternativa, invadir o território do inimigo para o obrigar a retroceder ou a dividir forças. O único que se insurgiu contra essa ideia foi Nun' Álvares que, depois de desabafar veementemente, pegou nas suas tropas e foi fazer frente aos invasores - o que fez com que os outros, não vendo alternativa, acabassem por o seguir. Em consequência disso, na segunda-feira, 14, travou-se a famosa batalha cujo resultado, como se sabe, foi decisiva na luta pela independência.

Ora sucede que o dia 15, actualmente feriado nacional, já nessa época se comemorava - era «o dia da Senhora de Agosto» - que, tal como agora, calhou numa terça-feira. Dito isto, e vendo o assunto com olhos de hoje, não dá que pensar que tenha sido o Chefe de Estado a querer que as Forças Armadas fizessem «ponte»?


Publicado no "DN" de 31 Agosto 2006, com o título "Um pouco de História" e com omissão das partes finais, em itálico!

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