Cartas para a Imprensa


Mais vale selo...

Qualquer gestor-de-meia-tijela sabe que «o trabalho se dilata até preencher o tempo que lhe é atribuído» e que «quando, em caso de "aperto", um prazo é prorrogado, em geral apenas se transfere o problema para uma nova data».

É por isso que os sucessivos governos fazem mal, muito mal (quanto mais não seja pela anti-pedagogia), quando habituam os cidadãos a adiamentos sistemáticos das datas-limite disto e daquilo, seja para as entregas das declarações de IRS, seja para o pagamento do selo do carro - como este ano sucedeu até por duas vezes.

Mas ainda pior do que a sensação de desleixo que fica no ar (quer da parte dos cidadãos que deixam tudo para a última hora, quer da parte do Estado - incapaz de impor os prazos que ele mesmo estipula), é termos de aturar a recorrente patacoada dos «bloqueios dos sistemas informáticos».

Que diabo! Não haverá quem diga a essa gente que JÁ NÃO HÁ PACHORRA para a sua conversa-para-atrasadinhos «O erro foi do computador...»?

É que, hoje em dia, ela até já é rara nas organizações geridas por velhos inforfóbicos barrigudos - que imaginamos sempre rodeados por uma alegre troupe de infortrôpegos, info-analfabetos e infortontos...


Publicado no "Público/Local-Lisboa" em 22 Agosto 2006

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