Cartas para a Imprensa


Um papel difícil…...

Segundo nos conta o «Público» de hoje, uma peça de teatro, em cena em Edimburgo (em que é figura principal Sir Winston Churchill), tropeçou num dilema - tão curioso quanto previsível: por um lado, o famoso estadista era inseparável de um bom charuto; mas, por outro, não era permitido fumar em palco.

A solução foi salomónica: o actor apareceu de charuto apagado, não sendo necessário, portanto, copiar o Lucky Luke - que substituiu, a partir de certa altura, a sua inseparável «beata» por uma inofensiva palhinha politicamente-correcta.

De qualquer forma, isso faz-me lembrar uma velha história de uma outra peça de teatro em que, a dada altura, o marido infiel queimava uma carta da amante.

No minuto seguinte, a legítima esposa entrava em cena e, andando de um lado para o outro, desconfiada, começava a resmungar:

- Humm... Cheira-me aqui muito a papel queimado...

No entanto, e precisamente quando a peça estava a ser um estrondoso êxito de bilheteira, uma companhia concorrente fez queixa às autoridades e veio a terrível ordem: «é proibido fazer lume em cena!»

Só que o encenador não se atrapalhou com tão pouco:

A partir desse mesmo dia, a malfadada carta passou a ser rasgada em pedacinhos, e a ciumenta esposa passou a declamar, de nariz arrebitado:

- Humm... Cheira-me aqui muito a papel rasgado...


Publicado no "Público" em 14 Agosto 2006

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