Cartas para a Imprensa


A dúvida e a dívida

Entre os muitos conselhos manhosos que Álvaro Pais deu ao Mestre de Avis, consta o famoso «Dá o que não é teu»; hoje, um corolário dessa sugestão talvez fosse «Compra as tuas coisas com o dinheiro dos contribuintes».

E lembrei-me disso porque, ao mesmo tempo que os jornais nos dão conta dos milhões envolvidos em contratações de futebolistas, ficamos a saber (e pela milésima vez) que a maioria dos clubes que movimentam essas fortunas continuam com dívidas ao Fisco e à Segurança Social - sem que dêem mostras de se preocuparem com isso, e sem que tal os impeça de continuarem a exercer a actividade.

No que toca a esse assunto, sabemos bem como Bagão Félix, qual D. Quixote arremetendo contra os moinhos de vento, desbaratou energias - o ministro passou e as dívidas ficaram...

Mas sabemos, também, que as actuais equipas governamentais das Finanças e da Segurança Social têm dado sinais credíveis de não pactuarem com situações desse tipo. E é por isso que eu penso que não lhes ficaria mal se dessem, ao Zé-Pagante, contas do famigerado «toto-negócio», se bem que ele - o Zé - já tenha percebido há muito tempo qual é o «negócio» e quem é o «totó». O pior é que (e na melhor das hipóteses) enquanto esses esforçados governantes gozam do benefício da dúvida, os outros gozam do benefício da dívida...


Publicado no no jornal "metro" em 26 Julho 2006 sem o último parágrafo

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