Cartas para a Imprensa


Brincando com o fogo

Há algum tempo, uma empresa internacional de consultoria concluiu que «os gestores portugueses são muito bons a resolver os problemas que eles próprios criam», e talvez estivesse a pensar, também, nos que «resolvem os problemas... procurando culpados».

Vem isto a propósito da notícia do Público de 21 Julho p.p. que nos dá conta de que «algumas corporações de bombeiros estão sem "kits" individuais de combate ao fogo, que inclui farda, capacete e tenda anti-fogo, devido a atrasos nas entregas por parte dos fornecedores» e de que, segundo António Costa, «a responsabilidade [desse facto] não é do Estado nem dos Governadores Civis, mas sim dos fornecedores dos equipamentos».

Enquanto esperamos que alguém nos responda à pergunta óbvia («quando é que foram feitas as encomendas?»), aqui fica, a propósito, uma história passada com Raul Solnado num teatro do Porto e que ele, em tempos, contou na TV:

Estava toda a gente já sentada e à espera que começasse o espectáculo - uma estreia, aliás -, quando se soube que, devido ao atraso do comboio que vinha de Lisboa, havia actores que ainda nem sequer tinham chegado!

Foi, então, alguém à boca-de-cena explicar o que se passava - dizendo (ou dando a entender) que a culpa era da CP. Mas, para sua surpresa, quando estava à espera da compreensão do estimável público, teve de enfrentar berros de... «Viessem ontem!».


Publicado no no "Público" em 22 Julho 2006

Página Anterior
Topo da Página
Página Principal
Página Seguinte