Cartas para a Imprensa


Novos tempos

Como se sabe, com o louvável intuito de defender o consumidor, as empresas de parques de estacionamento passaram a ser obrigadas a contar o tempo em fracções de quartos-de-hora. E estaria tudo muito bem, se elas não tivessem aproveitado para fazer aquilo a que, eufemisticamente, chamaram «alguns acertos para compensar perdas».

Ou seja: o que é dado com uma mão é tirado com a outra - e reza a experiência que, quando assim é, nunca o «Zé-Pagante» fica melhor.

Ora, se bem que, pelo menos nas terras que eu conheço, só pague estacionamento quem for tonto (pois a impunidade do estacionamento selvagem é a regra), esta rábula fez-me lembrar uma famosa cena do D. Quixote - quando o cavaleiro intervém para defender um rapaz que estava a ser sovado pelo amo:

Assim que o «herói» virou costas, o infeliz acabou de levar o resto da tareia que faltava - e ainda mais algumas correadas «de brinde»... para aprender a não se queixar.


Publicado no no jornal "metro" e no "24 horas" em 21 Julho 2006

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