Cartas para a Imprensa


Os baldes e as baldas

Como se sabe, com a desertificação do interior e o envelhecimento da população, os fogos estivais são uma fatalidade que apenas se pode minimizar.

Mas há um aspecto, tão dramático quanto bizarro, em que vale a pena meditar: são os incêndios que ameaçam as habitações. É que, se as árvores estão junto às casas, é porque alguém lá as meteu e também porque as autoridades o não impedem.

E se alguém dissesse a essas pessoas que o Estado não pagará os prejuízos que venham a ter?

E se os bombeiros fizessem saber que, em caso de escassez de meios, não terão prioridade no socorro?

Que diabo! Não há autarcas, bombeiros nem GNR que ajudem ou obriguem as pessoas a cumprir a lei, cortando as árvores que estão onde não deviam estar, mesmo que seja preciso intervir em propriedades de donos desconhecidos ou ausentes?

Mas palpita-me que vamos continuar indefinidamente a ver gente desesperada, a clamar por meios aéreos enquanto enfrenta as chamas do quintal com mangueiras de jardim e baldes de plástico - porque o mais certo é que desabafos como este não passem de conversa... debalde.


Publicado no "DN" de 8 Junho 2006 (numa versão diferente) e no "Destak" de 12 Junho 2006

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