Um desastre e três perguntas
Imagine-se que um português alcoolizado se faz à estrada e começa a fazer uma condução extremamente perigosa pondo em risco a sua vida, a dos que o acompanham e a dos que têm o azar de passar perto dele.
Qual é a reacção tipicamente portuguesa: avisar a polícia da presença do bêbado ou avisar o bêbado da presença da polícia?
Se ele rachar a cabeça ao estampar o carro contra um muro, de quem é que o português-típico tem mais pena: dele, ou do dono do muro?
Se «acidente» é, por definição, algo que não se pode prever, porque é que, em Portugal, se continua a usar essa desculpabilizante expressão para referir o que, na realidade, são desastres, suicídios ou meros crimes?
Publicado no jornal "metro" de 30 Maio 2006
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