Cartas para a Imprensa


Espelho-meu

Quando, um dia destes, Santana Lopes «apareceu à superfície», alguém disse, e muito certeiramente, que «ele ainda hoje não percebeu o que lhe aconteceu» - tal como parece suceder com os apoiantes mais chegados de Mário Soares quando comentam a sua estrondosa derrota.

Infelizmente, não são exemplos únicos pois, quer nesses casos quer em muitos outros semelhantes, «é de deitar as mãos à cabeça» como «eles» estão longe do cidadão-comum. Que bem faria essa gente se pudesse seguir o exemplo do califa Harun-al-Raschid, que se disfarçava de mercador e se misturava com os súbditos a fim de saber o que pensavam dele!

Actualmente, a maioria dos políticos parece «viver noutro mundo», nadando (e de costas!) numa espécie de sopa morna (existente algures numa realidade-paralela), completamente isolados deste planeta e do cidadão-comum por uma multidão de assessores, militantes cegos, simpatizantes surdos e yes-men devotados.

Só pode ser essa a explicação para as cenas a que por vezes assistimos, como as do frente-a-frente Soares-Cavaco, ou a de Sócrates a interromper o discurso de Alegre («sem ter dado por isso»!); ou ainda as inúmeras rábulas e contra-rábulas que o governo de Santana Lopes protagonizava de-manhã-à-noite.

Palpita-me que, sem que nós saibamos, anda por aí alguém que conseguiu a patente do espelho da rainha da Branca-de-Neve...


Publicado no "metro" em 27 Janeiro 2006

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