Política digital no Parlamento
Tão cedo ninguém se vai esquecer dos caricatos episódios da aprovação da Lei de Programação Militar.
Começaram por se «contar» 115 deputados, depois desencantou-se um 116º (que se tinha esquecido de assinar o ponto), e a barafunda prosseguiu com uma promulgação presidencial sem que se ficasse a saber muito bem quantos lá estariam na altura da votação.
Pouco depois, no entanto, ficámos a saber duas coisas muito importantes:PRIMEIRO: que problemas desse tipo se podiam resolver com um sistema de votação electrónica.
SEGUNDO: que um sistema desses já existe há muito tempo no Parlamento, custou «algum dinheiro ao país», mas nunca foi usado.
Além das inevitáveis considerações sobre a forma como são gastos os nossos dinheiros, meditemos um pouco sobre a apetência da classe política pelas chamadas «modernices» (tais como Internet, computadores e coisas desse tipo)...
Mas parece que agora está tudo no bom caminho.
Propõem-se apenas duas melhorias, que devem ser fáceis de pôr em prática:
PRIMEIRA: providenciar para que seja possível que um deputado presente "pique o ponto" pelos vizinhos ausentes.
SEGUNDA: a instalação, na consola dos presidentes dos grupos parlamentares, de um botão especial (intitulado «Acordo Electrónico de Cavalheiros») que, uma vez accionado, permita que seja considerada a totalidade dos deputados do seu partido.
Publicado no EXPRESSO - "Cartas - Correio Azul" em 17 Nov. 2001
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