Cartas para a Imprensa


Câmara lenta?

Noticia o Público que «o deputado municipal social-democrata Victor Gonçalves apresentou na 3ª feira uma moção que critica o estado da cidade no que respeita à proliferação de cartazes e exige a reposição da legalidade o mais depressa possível».

Atente-se na expressão «o mais depressa possível» que faz parte da pecha portuguesa de falta-de-rigor (como «um bocado», «à tardinha», «um certo tempo») a que também recentemente Jorge Sampaio se referiu a propósito da expressão «prazo razoável», usada algures nos trâmites da Justiça.

E repare-se, também, na posição camarária sobre o assunto:

«O ideal seria que todos os cartazes fossem retirados no prazo de 5 dias úteis após as eleições que a lei prevê. Mas já era muito bom que o fossem em duas semanas».

Ficamos também a saber que a autarquia se diz disposta a esperar três semanas antes de proceder à retirada coerciva das ruas do material de propaganda.

Ou seja: admite-se, ainda antes de o prazo se esgotar, que a lei não será cumprida. Assume-se isso como natural, e anuncia-se uma tolerância de 200%.

E, se mais não foi dito, também não era preciso...


Publicado no "Público-Local" em 27 Janeiro 2006

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