2º alerta aos investidores

A primavera do Euro

Diversos analistas norte-americanos independentes falam de uma janela de oportunidade de 3 a 5 anos para as moedas europeias continentais - o ainda jovem euro e o mais tradicional "refúgio", o franco suíço. O dólar pode ter entrado num período de "travessia do deserto" em relação a outras moedas fortes e começa a gerar um clima de desconfiança mesmo em regiões onde as moedas locais estão fortemente indexadas à nota verde, como é o caso da Ásia.

Jorge Nascimento Rodrigues, Maio 2003

Apesar da fractura política europeia sobre a Guerra do Iraque, o euro passou a prova. No mercado "spot" de divisas, do início do ano até princípio de Maio, o euro valorizou-se 6,5% face ao dólar. Vale hoje 10% mais do que a nota verde. É claro que está, ainda, abaixo do patamar do seu baptismo em 1999 - nasceu, então, valendo 17% mais do que o dólar. Depois de um período "negro" no ano da fundação - tendo chegado a valer apenas 83 cêntimos de dólar em Outubro de 1999 -, o euro reagiu paulatinamente, com altos e baixos, ao eurocepticismo dos investidores e aforradores. Comparando com Janeiro de 2000, a valorização actual (em princípio de Maio de 2003) face ao dólar foi de 9% e em relação a Janeiro de 2002 foi de 22%.

Travessia do deserto

A divergência entre as duas moedas dos dois lados do Atlântico fica mais nítida se tivermos em conta o estudo do analista norte-americano Michael Bolser. O índice do dólar quebrou 7% desde 6 de Dezembro de 2002 até à data, enquanto que o euro se valorizou 9,8%. Os compradores de euros beneficiaram de um diferencial de ganho de 16,8%, sublinha aquele analista.

Segundo Steven Seville, outro analista independente americano, o dólar pode ter entrado em mais um período cíclico do "urso" (por oposição aos períodos de "touro", de euforia) que poderá durar mais 5 a 6 anos. Este comportamento em baixa não é susceptível de inverter a marcha em virtude dos despojos de guerras e movimentos geo-políticos por parte dos Estados Unidos, mas reage em função da evolução do défice das contas públicas americanas e da dificuldade actual dos EUA atraírem os capitais estrangeiros de que necessitam (LINKAR artigo das taxas de juro).

Ainda, de acordo com os analistas independentes norte-americanos, esta situação favorável ao euro derivará da inteligência política dos banqueiros europeus em manterem um diferencial nas taxas de juro entre as duas margens do Atlântico - nas taxas de juro a uma semana a Europa remunera 1,3% acima dos EUA, o que pode favorecer a atracção de capitais, numa altura em que a "locomotiva" americana está, ainda, sem nova alavanca tecnológica e os seus mercados financeiros de referência ainda sem terem batido no fundo.

No que respeita ao franco suíço estima-se inclusive que possa valer 10% mais do que o dólar em 2008 - actualmente representa apenas 73% do dólar. O que significaria um ganho de 50% para os apostadores neste "refúgio".

Contudo, ninguém alvitra, obviamente, que o euro irá substituir o dólar como principal divisa mundial - a, nível global, o euro poderá duplicar o seu peso actual, chegando a deter 20% das divisas em moedas estrangeiras no mundo no final deste ano.

Sinais da Euro-Ásia

É provável, contudo, que o comportamento do dólar seja em geometria variável. Segundo o instituto alemão IFO, o dólar desvalorizar-se-á em relação às moedas europeias fortes e do Canadá e Austrália, mas poderá valorizar-se em relação às moedas da Comunidade de Estados Independentes (parte da ex-União Soviética), da América Latina, do Médio Oriente e de África.

No entanto, há sinais no espaço euro-asiático que terão de ser seguidos de perto. A Rússia dispõe de 50 mil milhões de dólares em reservas denominadas em nota verde ou em letras do Tesouro americano. No mês passado, a Nezavisimaya Gazeta referiu que os investidores privados começam a sentir que "fazer aplicações em dólares começa a ser despropositado". Segundo a revista Business Week - na sua edição de 17/02/03 - as reservas russas eu euros terão subido acima dos 20%. Por seu lado, a China fez já declarações oficiais de que fará uma recomposição dos seus 286 mil milhões de dólares em divisas, apesar da indexação do yuan ao dólar. A grande incógnita é o Japão com 460 mil milhões de dólares de reservas.

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