23ª Conferência Mundial do Ouro em Paris

Bancos Centrais desinvestem no ouro

Um comentário de Jorge Nascimento Rodrigues em colaboração com o GATA

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A política de diversos bancos centrais continua a ser de desinvestimento no ouro, insistindo na venda no mercado procurando "rentabilizar" as reservas, o que, conjugado com a euforia de derivados por parte de bancos de investimento, tem ajudado a empurrar este metal precioso para os mais baixos preços dos últimos vinte anos, conforme a Janela na Web atempadamente alertou.

O discurso de abertura de Terry Smeeton, do Bank of England, marcou a tónica central da 23ª Conferência Mundial sobre o Ouro organizada pelo Financial Times em Paris na última semana de Junho de 2000. A sua estratégia de "desvalorização" do papel do ouro foi, depois, ampliada nomeadamente pelas intervenções, mais agressivas, dos responsáveis do Banco Nacional da Áustria e do Deutsche Bank.

A denuncia de que uma manipulação do preço da onça de ouro pode estar em curso desde há dois anos e meio no sentido de não o permitir subir acima dos 290 dólares tem sido feita por um denominado Gold Anti-Trust Action Commitee (GATA), um grupo de pressão norte-americano, que provocou alguma agitação durante os debates e nos corredores da Conferência. Apesar de ser o organizador, o prestigiado jornal dedicou a este evento poucos parágrafos, num comentário que não chegou às 380 palavras.

Apesar do aplauso e juras de fidelidade ao Acordo de Washington (entre os 15 bancos centrais europeus, limitando as vendas de ouro e os empréstimos) de Setembro do ano passado, a realidade das acções práticas e da própria "linguagem corporal" nesta Conferência - na definição irónica dada por Bill Murphy, líder do GATA e que esteve presente em Paris - não deixa dúvidas.

Apenas Hervé Ferhani, do Banque de France, destoou dos restantes banqueiros ao alertar explicitamente para o facto de que "muitos dos que hoje emprestam ouro certamente não terão em conta os riscos que isso envolve e que tal se poderá revelar um erro de enormes proporções". Segundo Bill Murphy, uma tal declaração pode ser lida nas entrelinhas: "Os franceses sabem perfeitamente o que se está a passar e o efeito dominó que está para chegar. Mas não querem, ainda, borrar a pintura".

Nos bastidores da conferência, entre os jantares e conversas, ficou claro para a delegação do GATA que "responsáveis oficiais estão a encorajar a manipulação do ouro para que o dólar não tenha concorrência por parte de outros meios de reserva, o que tem certamente prejudicado fortemente o euro".

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