O que dizem os jovens investidores

O investimento em empreendedores e projectos não é só para instituições de capital de risco. Há todo um mercado informal de capitais que se pode «profissionalizar» e ir para além da figura do «sócio capitalista» a que muitas PME recorrem quando dão os primeiros passos no nosso país.

Nos Estados Unidos denominam-se estes investidores profissionais de 'business angels'. A relação de forças com o mercado formal do capital de risco é esclarecedora: as cerca de 500 «venture capital» aplicam por ano entre 3 a 4 mil milhões de dólares em menos de 3 mil empresas, enquanto que os mais de 250 mil 'anjos' investem 3 a 6 vezes mais, entre 10 a 20 mil milhões, numa multidão de 30 mil empresas. E, mesmo assim, os analistas dizem que seriam precisos 60 mil milhões para «encher» o copo da procura!

O despertar para esta função parece dar os primeiros sinais em Portugal. Mas os seus protagonistas ainda vivem na semi-clandestinidade e gostam de continuar mantendo a sua privacidade. Uma investigação pelos meandros da profissão revelou que há muita gente jovem nesta actividade, entre os 30 e os 40 anos, que tendo acumulado algum pecúlio pretende investir uma parte dele de forma não tradicional (para além do imobiliário e da bolsa). As ideias e projectos dos outros são, por isso, uma oportunidade.

Vozes da semi-clandestinidade

Um dos 'anjos' de 35 anos que o EXPRESSO ouviu refere que sentiu a necessidade de diversificar a sua carteira de investimentos para além das tecnologias de informação, o seu sector de origem. «Trata-se de um área em mutação e reviravolta constante, onde os analistas raramente conseguem prever o futuro. Nada melhor, por isso, do que diversificar para outras oportunidades»,diz-nos «mc», que já «arriscou» mais de um milhão de contos. «Como a banca ainda não conseguiu digerir o crédito mal parado e a redução de margem que está vivendo» sofre de alguma cegueira e deixa o campo livre, refere este 'business angel' que dedica a cada um dos investimentos em que entrou como parceiro meio dia por semana.

Para «jp», outro 'anjo' que resolveu manter o anonimato, «o importante é investir em negócios em que se acredita» e privilegiar «um relacionamento mais humano» com os empreendedores, algo em que «as capitais de risco ainda são pouco flexíveis». Ele procura ideias com bom retorno potencial e com uma equipa credível, e está atento a poder jogar num factor «especulativo» em Bolsa se o mercado estiver «quente» e premiar este tipo de empresas de alto crescimento.

Mas há quem se veja como um misto de investidor atento e «missionário» empenhado em transmitir a sua experiência bem sucedida numa 'start up' de alta tecnologia a outros jovens empreendedores portugueses. Paulo Rosado, 34 anos, não se revê como 'business angel', mas, depois de ter visto a sua empresa, a Intervento, ser adquirida pela Easyphone/Altitude Software, sente-se atraído por aplicar alguns ganhos da operação noutras ideias e noutras pessoas.

«Há excelentes recursos humanos em Portugal, mesmo com um grupo de juniores consegue-se um crescimento brutal», diz-nos este 'estrangeirado' que tirou um mestrado em Stanford há sete anos atrás e que esteve na Oracle em Redwood Shores, no Silicon Valley. Ele lamenta que «os quadros superiores portugueses não tenham uma filosofia de empreendedores» que os leve para a renovação do tecido empresarial, apesar de já haver alguma moda no slogan do 'despeça-se já'.

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