Os «casamenteiros»

Gesventure e revista Ideias & Negócios lançam-se na oportunidade aberta pela «falha de mercado» que cavou um rio entre os empreendedores com ideias inovadoras e os banqueiros

Há provavelmente 90 milhões de contos disponíveis em fundos de capital de risco e os seus gestores queixam-se de «insuficiência de bons projectos» e de pouca abertura «cultural» da parte dos empresários, o que leva a que muito dinheiro fique adormecido e que Portugal seja empurrado para o «carro vassoura» entre os pequenos países que menos novos fundos criaram na Europa em 1998, segundo o «Yearbook» de 1999 da European Venture Capital Association.

Fonte oficial confirmou-nos que - mesmo no âmbito do esforço voluntarista do Estado português através das Acções de Dinamização do Capital de Risco - da previsão inicial de mais de 21 milhões de contos, e apesar de uma primeira leva de 18 projectos homologados envolvendo a intenção de incentivos de mais de 18 milhões de contos, a dotação orçamental mais recente já foi revista em baixa para 10 milhões de contos (a poderem ser usados até 30 de Setembro de 2000), pois muitos dos projectos não passam sequer do papel.

A pensar que há «uma falha de mercado» e, naturalmente, uma oportunidade para entidades privadas, começaram a surgir os primeiros «casamenteiros», intermediários que pretendem fazer a «ponte» entre as boas ideias e as instituições de capital de risco nacionais ou estrangeiras. Uma iniciativa original está a ser preparada a partir da 'Ideias & Negócios', que servirá de «plataforma para a promoção do encontro eficaz entre as duas partes», explica-nos Diogo Vasconcelos, o líder da revista. O papel «evangelizador» desta publicação do 'despeça-se já' começa a ser notório. «Estamos a fazer eco das empresas portuguesas de alto potencial de crescimento e dos seus empreendedores. Histórias contadas nas nossas páginas já deram, pelo menos, em três casos resultados em termos de investimento de capitais de risco», prossegue o nosso interlocutor, que adianta estar em preparação o lançamento de modelos de «cruzamento» pioneiros.

Dentro da mesma linha, no âmbito da Associação Nacional dos Jovens Empresários (ANJE), está em fase de lançamento um Fundo de 3 milhões de contos em parceria com o BPI. Segundo Diogo de Vasconcelos, que é também vice-presidente da ANJE, este fundo «pretende lançar uma nova classe de investimentos com retornos superiores a longo prazo, actuando nomeadamente como um catalisador de 'start ups' e familiarizando-se com a actividade dos 'business angels'».

A actuar no mercado está já a Gesventure (na Web em www.gesventure.pt), uma parceria entre uma empresa de contabilidade portuguesa e a Chausson Finance (na Web em www.chaussonfinance.com), um «casamenteiro» francês com parceria também em Espanha. Na sequência de um primeiro encontro realizado este ano no Taguspark, um Parque de Ciência e Tecnologia localizado em Oeiras, a empresa recebeu 22 projectos, dos quais seleccionou quatro de alto potencial.

O lançamento da Gesventure pode ser lido aqui

No quadro de uma estratégia de dinamização, a Gesventure liderada por Francisco Banha já lançou um Clube de 'Business Angels' com interface na Web (em http://www.businessangelsclub.com) em colaboração com o portal Sapo. «Temos montada uma equipa de especialistas em tecnologias de informação, gestão, direito e biotecnologia, e temos no horizonte o lançamento de um 1º Concurso com apoio de diversas entidades nacionais e multinacionais», refere-nos Banha que já dedicou ao tema do capital de risco uma tese de mestrado (publicada em livro pela Vida Económica em 1998 com o título Capital de Risco - O Impacto da Fiscalidade) e que tem no prelo um segundo livro sobre o assunto, desta vez, intitulado Capital de Risco-Tempos de Mudança.

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