Banker to the Poor - O Banqueiro dos Pobres

Muhammad Yunus e Alan Jones

Capa do livro Banker to the PoorProfundamente autobiográfico, o livro (compra) de Muhammad Yunus é um relato fiel da vida do fundador do Grameen Bank, nomeadamente, a partir do momento em que este professor universitário de Economia, formado nos Estados Unidos, regressa ao seu país natal (1972). Seguem-se todas as peripécias e dificuldades encontradas por Muhammad Yunus na sua longa caminhada para constituição e afirmação do Grameen Bank como banco independente (1977 - 1995) e exclusivamente vocacionado para o microcrédito.

Da sua infância em Chittagong ao seu primeiro contacto com a realidade dos pobres da aldeia de Jobra, Yunus estabelece a ponte entre a cultura onde cresceu e a riqueza da sua aprendizagem no estrangeiro. E explica-nos, de uma forma clara e sucinta, como é possível sair da redoma do "campus" e pôr em prática os conhecimentos adquiridos nos bancos da universidade.

Começa por colocar em marcha o projecto agrícola experimental da "partilha tripardida" (1974-76), mas cedo se apercebe da utopia desta solução e vira-se para «os mais pobres dos pobres». Tenta convencer os bancos a emprestar-lhes dinheiro, mas acaba por servir, ele próprio, de garantia dos empréstimos. Não desiste e sobe, degrau a degrau, a escala das hierarquias, até ao Banco Central do Bangladesh e ao Banco Mundial.

A filosofia do Grameen Bank vai ganhando consistência; elege como alvo preferencial, as mulheres; luta contra as regras da reclusão das mulheres islâmicas ("purdah"); cria o sistema mutualista e de entre-ajuda dos grupos; a cartilha das "16 Decisões"; e subverte todas as regras da banca comercial. O microcrédito diversifica-se, abrindo linhas de crédito à habitação, produtos de poupança, seguros de saúde e crédito para a aquisição de equipamentos de energia solar e telemóveis. Começam a nascer novas empresas no universo do Grameen Bank, vocacionadas para as pescas, a indústria têxtil, as telecomunicações, as energias renováveis e a Internet.

Nos anos 90, o homem que nunca quis fundar um banco, vê as suas ideias aplicadas noutros países e o aparecimento de dezenas de instituições-réplica do Grameen Bank florescerem na Ásia, América do Norte e do Sul, África, Europa e Oceânia. A primeira Cimeira Mundial do Microcrédito, em Fevereiro de 1997, em Washington, marca a consagração de Muhammad Yunus como "pai" do conceito de microcrédito.

O livro tem dois prefácios, do Príncipe de Gales e do próprio autor, onde Muhammad Yunus reafirma a sua fé inabalável na criatividade dos seres humanos, mesmo nos piores momentos da vida, na convicção de que não nascemos para sofrer das misérias da fome e da pobreza. «Acredito, firme e profundamente, que podemos criar um mundo livre da pobreza, se assim quisermos. Pensem nisso», desafia-nos Muhammad Yunus.


Alexandre Coutinho                  


Nota: Aos mais interessados em conhecer as experiências de microcrédito no Bangladesh, recomendo igualmente, a leitura do livro "The Price of a Dream", do jornalista canadiano David Bornstein.

Página Anterior
Canal Temático
Topo da Página
Página Principal