Violet

Nova linha de «gadgets» lúdicos e inteligentes

Um novo segmento de negócio assente em objectos lúdicos inteligentes inventado por dois franceses, um futurista e um pioneiro da Internet de origem arménia, está a cativar o público feminino. O mais querido é o "nabaztag" (coelho, em arménio) que vive em wi-fi. A start-up no centro desta nova vaga é a Violet francesa.

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de www.janelanaweb.com, com os fundadores da Violet, Setembro de 2006

Sítio na Web da Violet

«Vamos assistir a uma explosão de objectos comunicacionais»

Os japoneses inventaram os "tamagotchis" e o AIBO, o cão-robô (que entretanto foi 'travado' pela Sony). Agora dois empreendedores franceses, Olivier Mével, um criativo futurista, e Rafi Haladjian, um pioneiro da Internet em França, de origem arménia, deram à luz um coelho de plástico que está permanentemente ligado à Internet, através de tecnologia wi-fi. Depois de comprado (pouco mais de 100 euros em França) e baptizado com um nome, pode ser programado através de um portal na web.

A classificação industrial é complicada: não é um brinquedo, mas também não é um acessório fruto da "convergência" dos telemóveis com os pocket PC ou os PDA. "É uma espécie à parte", sublinha-nos Olivier Mével. Assegura que quem está a adorar este novo "companheiro" de secretária é a população feminina de quadros de empresa: "Mais de 50% dos clientes. O que é raríssimo para um produto hi-tech". O nome é de difícil pronunciação - "nabaztag"; ou seja coelho, em arménio. Até à data já venderam 60 mil "made in China" (onde são fabricados em Shenzhen, no Sul, ao pé de Hong Kong).

A sua estreia foi, no Verão do ano passado (2005), em Paris, e é mais um filho de uma linha de objectos criada pela Violet, a "start-up" fundada por Olivier e Rafi há três anos. O primeiro tinha sido uma lâmpada (de nome "Dall") que mudava de cor com algumas das funções que o "coelho" agora tem, mas que é cara. A ideia, diz-nos o outro inventor, Rafi Haladjian, é "o desenvolvimento de um segmento de negócio de objectos lúdicos inteligentes, que a baixa do preço das componentes informáticas tornou possível". "Agora podemos inserir inteligência e capacidades de comunicação em qualquer objecto que nos rodeia, e não só nos PC ou nos telemóveis. Vamos assistir a uma explosão de objectos comunicacionais", reforça Olivier.

Para apadrinhar o vanguardismo, a capital de risco Banexi, ligada ao BNP Paribas, e outros investidores injectaram mais 5 milhões de euros no capital social da "start-up". O modelo de negócio está assente na assinatura de serviços pagos - cerca de 1/3 dos compradores do "coelho". Com distribuição em sete países da Europa, agora quer atacar os Estados Unidos (por 150 dólares cada bicho) na próxima época de Natal, e vai introduzir o espanhol como terceira língua (depois do francês e do inglês) no primeiro trimestre de 2007.

Gracinhas do bicho

As gracinhas do "nabaztag" vão desde acordar-nos e ler (por síntese vocal) pela manhã as notícias dos media preferidos (previamente programado através de RSS, um sistema web de sindicação de conteúdos), dar previsões do tempo e do tráfego, e ao longo do dia avisar das cotações bolsistas. Se há um e-mail importante que estamos à espera (sem ter de estar a olhar todo o tempo para o computador), ele muda de cor para nos avisar. Mais intimista, ele agita uma ou as duas orelhas se alguém especial acabou também de chegar ao escritório em São Francisco ou em Xangai, do outro lado do mundo. Por "nabcasting" (uma versão de "podcasting", distribuição de conteúdos digitais via Net através de ficheiros áudio) podemos mandar uma mensagem profissional ou pessoal que será vocalizada ou, apenas, uma música (em MP3) ou um poema que sabemos preferidos do destinatário, ou um conteúdo próprio. Aquando do Mundial de Futebol prestou um serviço gratuito chamado de "Nabazball".

Há mesmo quem já desenvolva rituais orelha-a-orelha entre "coelhos" à distância de vários fusos horários - uma espécie de códigos secretos, que se podem partilhar na comunidade "online" (nabaztaland), mais uma rede de socialização, típica da actual corrente da web 2.0. Nessa comunidade podem inclusive trocar-se serviços criados pelos próprios utilizadores. Criou-se já um fórum para o "nabaztizen" - o cidadão deste mundo virtual.

Rafi salienta que há um concorrente de Violet nos EUA, a Ambient Devices, mas que não utiliza wi-fi.

Os dois criadores são históricos da Web - Olivier criou a Babel, uma agência para clientes da web, logo em 1995, e Rafi foi o primeiro fornecedor de Internet ao lançar a FranceNet em 1994, e mais recentemente lançou um operador de rede, a Ozone. Olivier é membro da associação de prospectiva francesa ligada a Michel Godet.

Virtudes do Nabaztag
 · Wifi (ligado permanentemente à Internet)
 · 1 kg de plástico
 · 23 cm de altura
 · Transmite notícias em francês ou inglês (no 1º trimestre de 2007, em
 espanhol)
 · Despertar
 · Avisos de voz sobre tráfego, tempo, cotações bolsistas
 · Avisa e-mail importante para ir consultar ao computador
 · Ilumina-se e muda de cor em função do aviso ou informação para dar
 · Mexe as orelhas em sincronização com outros "coelhos" à distância
 · Vocaliza mensagens pessoais ou "nabcasts" (podcasts)

Factos
 · Inventores/Empreendedores: Olivier Mével (co-fundador de uma agência web
 em 1995 e vice-presidente da Associação Prospective) e Rafi Haladjian
 (criador da FranceNet em 1994, o primeiro fornecedor de Internet em França)
 · Lançado em Paris no Verão de 2005
 · Acompanhou o Campeonato Mundial de 2006
 · Previsão de vendas para 2006: 150 mil unidades; para 2007: 400 mil
 · Start-up: Violet, França, criada em 2003
 · Países onde se vende: Bélgica, Espanha, França (115 euros + assinatura de
 serviços), Hong Kong, Grécia, Suécia, Suíça e Reino Unido; há um distribuidor
 em Portugal
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