Don Tapscott, o «pai» da Economia Digital

«É hora de inovar - no modelo de negócio»

Caricatura de Don Tapscott Don Tapscott é um canadiano que já passa dos 50 e é considerado o «pai» do conceito de Economia Digital, a partir do momento em que o usou como título de um livro que escreveu em 1995 e lançou nos alvores de 1996 - um golpe de sorte, pois era o momento certo com a enorme euforia em torno da ida ao mercado de capitais da recém-criada Netscape que comercializou os mais conhecidos primeiros «browsers» que nos permitiram a navegação na World Wide Web sentados em frente do écran do nosso computador.

Tapscott e a sua equipa começou recentemente uma investigação em torno precisamente da temática dos modelos de negócio, área que ele considera crítica para o estudo da nova economia e sobretudo vital, em termos práticos, para os empreendedores que estão nesta vaga e que têm de criar modelos de negócio para vingarem nesta nova realidade. No trabalho de campo já realizado, já detectou cinco modelos, que irão ser aprofundados na próxima obra já intitulada «Digital Capital». Numa muito breve entrevista a Jorge Nascimento Rodrigues, dada pessoalmente na sua recente deslocação a Lisboa, Don chama a nossa atenção para esta área.

 Outra entrevista recente de Tapscott 


Don, qual é a chave para competir hoje nesta selva que começa a ser a Web?

DON TAPSCOTT - A verdadeira arma da competitividade está em inovar a nível dos modelos de negócio. Está na forma de repensar a forma de fazer negócios. Os que investirem primeiro nesta inovação marcam a diferença. Os grandes nomes da Web hoje em dia são os que criaram estes novos modelos de negócio. O decisivo não é inovar no marketing como muita gente tem ideia.

Como lhe ocorreu esta ideia de centrar a atenção nos modelos de negócio na Web?

D.T. - Eu e a minha equipa já andávamos a estudar o que designámos de «comunidades de negócios electrónicas» e na investigação de campo que fizemos já tínhamos detectado vários tipos a que ultimamente juntámos um quinto, em torno das redes de distribuição.

O retorno do sentido original do mercado, sobretudo com a actual febre de leilões na Web dirigidos ao consumidor e também entre empresas, revolucionando todo o processo de compras, não o intriga?

D.T. - Um pouco, no princípio. Mas na minha investigação eu encontrei um homem hoje já bem idoso, Ronald Coase, aliás Prémio Nobel da Economia em 1991, que já vinha a falar do verdadeiro mercado - em que dialogam livremente a procura e a oferta e em que o preço tem de ser dinâmico como no antigo mercado grego, a «agora» - desde uns seus escritos nos anos 30 e depois nos anos 60. A Web veio trazer a plataforma para tornar isso realidade.

E qual dos modelos é que o fascinou mais?

D.T. - O das alianças. É espantoso, veja o caso em torno do Linux [um sistema operativo alternativo ao da Microsoft] ou em torno do MP3 [um «standard» de compressão de música na Web]. Estas alianças não são nada de novo - elas sempre estiveram no coração da colaboração entre cientistas. O interessante é poderem tornar-se um modelo de negócio emergente. O caso da Visa Internacional é, em certo sentido, um modelo primitivo, com fins lucrativos, deste tipo de aliança que agrega centenas de concorrentes entre si, que se unem debaixo de um mesmo espaço neutral que criou uma marca internacional baseada em «standards» e práticas de negócio de que todos partilham.

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