Web continua a ser apenas arma de marketing

Soumitra Dutta, responsável no INSEAD pelo Global Internet 100,
entrevistado por Jorge Nascimento Rodrigues

A Web continua a ser vista sobretudo como mais um canal de marketing e de promoção de marca e não como um novo mercado que obriga a repensar as estratégias de negócio.

Esta é a opinião de Soumitra Dutta (soumitra.dutta@insead.fr), o responsável no INSEAD pelo «survey» a que fazemos referência. Dutta, de 35 anos, é de origem indiana e é actualmente professor associado na área de Sistemas de Informação naquela Escola de Gestão francesa perto de Paris.

É, também, professor visitante na Haas School of Business da Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde se doutorou em ciências da computação.

Os dados apontam para uma grande distância entre os Estados Unidos, líderes incontestáveis dos melhores «sites», e a Europa e ainda mais o Japão. O atraso destes últimos continua assim tão grande?

SOUMITRA DUTTA – As grandes empresas americanas continuam a liderar indiscutivelmente e são também as que melhor adoptaram o comércio electrónico. Mas, as europeias estão a apanhá-las, o que, a meu ver, pode ser evidenciado pela presença da Lufthansa (segundo lugar) e pela British Telecom (quinto) entre as 10 melhores. As japonesas estão, de facto, muito atrás, sobretudo em sectores como o financeiro/seguros e o «trading», mas casos como a Sony (décimo segundo lugar) estão muito bem classificados.

Porque razão o comércio electrónico é apenas oferecido por 1/3 das 120 grandes empresas cujos «sites» analisaram?

S.D. – Eu acho que a razão fundamental tem a ver com o facto das empresas continuarem a ver os seus «sites» na Web como apenas mais um meio para o marketing institucional e para a promoção da marca. Ainda não se aperceberam do potencial da Web como meio de transformação do próprio negócio. Além disso, muitas empresas estão preocupadas com o facto de exporem os seus preços publicamente e com a segurança das transações.

E porque é que só uns 20 por cento permitem a formação de ciber-comunidades por parte dos seus clientes e utilizadores fieis?

S.D. – Uma vez mais por terem vistas curtas. Não vêm as oportunidades que a Net oferece para se estabelecerem relações mais estreitas com todo o tipo de «stakeholders» (clientes, accionistas, empregados, etc.), criando fidelidade. Esta criação de ciber-comunidades exige também um modelo diferente de marketing e de serviço ao cliente.

Como interpreta a «performance» desapontante do sector financeiro?

S.D. – Possivelmente em virtude de resistência à mudança e de preocupações com os riscos de segurança.

Página Anterior
Canal Temático
Topo da Página
Página Principal