Sol Focus

A start-up que está a revolucionar a energia solar

"Start-up" incubada no Palo Alto Research Center, no Silicon Valley, testa novo sistema fotovoltaico mais barato.

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de www.janelanaweb.com, com o fundador Gary D. Conley, Setembro de 2006

Sítio na Web da Sol Focus

Os capitalistas de risco e os media especializados do Silicon Valley estão eufóricos. Em pleno Verão californiano duas "start-ups" na área da energia solar - Nansolar e SolFocus - recolheram quase 100 milhões de dólares de investidores e prometem comercializar novas gerações de painéis solares não baseados no silício policristalino que também serve de base ao fabrico dos circuitos integrados na electrónica.

Há hoje uma nova tendência na área da "cleantech" (tecnologias limpas) que pretende fugir ao famoso silício que baptizou o vale. A oferta deste material - na ordem das 40 mil toneladas anuais - tem manifestado sinais de não conseguir responder ao disparo da procura e os seus preços de contrato quase triplicaram em três anos, chegando mesmo aos 100 dólares por quilo no mercado "spot" actual.

Corrida de galgos

A fuga ao silício permitirá fazer baixar os custos por watt, alegam os novos fabricantes de painéis e uma verdadeira corrida de galgos está em campo - entre os que desenvolvem a tecnologia baseada num filme plástico fino, como a Nansolar apoiada no início pelos dois fundadores da Google, e os que apostam na solução de concentradores fotovoltaicos (na gíria técnica CPV), como é o caso da SolFocus, que estabeleceu uma parceria com o PARC (Palo Alto Research Center), a famosa subsidiária da Xerox no Silicon Valley (no PARC nasceu a Ethernet, o primeiro "rato" comercial para computador, a interface gráfica e a impressão a laser).

A SolFocus definiu publicamente objectivos de preço final de produção e instalação abaixo dos 3 dólares por watt para as duas gerações de CVP que irá comercializar nos próximos anos, o que significará uma redução brutal entre 50% a 30% do custo actual dos painéis solares tradicionais, segundo Gary D. Conley, um "serial entrepreneur" do Vale, fundador da SolFocus e que foi considerado o "Empreendedor de Energias Limpas do Ano" em 2005.

Conley começou por se apaixonar pelo "sonho do hidrogénio" e criou em 2002 uma "start-up" denominada H2Go que daria à luz uma miríade de tecnologias. Conley confessa-nos que "era algo muito disperso" e que resolveu "focalizar no fotovoltaico", criando a SolFocus este ano (2006), tendo mobilizado entre Março e final de Julho cerca de 30 milhões de dólares.

Com a incubação no PARC, a empresa já colocou no telhado do complexo um protótipo da primeira geração que mais parece "uma placa com faróis da frente de um automóvel", na imagem dada por Conley. Em Agosto (2006) acabou de montar o primeiro sistema numa linha de fabrico-piloto na cidade de Sunnyvale ("vale solarengo") que produzirá o equivalente a 2MW (megawatts) e que poderá ser ampliada para 10MW. Um fabrico em maior escala deverá estar operacional até final do próximo ano na Índia.

A segunda geração de painéis será ainda mais barata e parecer-se-á com uma "colmeia" muito fina num molde de telha de vidro numa só peça. Alguns "truques" tecnológicos são "o uso de componentes com função dupla" (o que diminui, naturalmente, o número necessário), a aplicação de um jogo de espelhos com alta capacidade de concentração (cerca de 2 vezes superior ao normal nos painéis comercializados) e o recurso a "um milionésimo dos materiais caros usados nos sistemas solares tradicionais".

Problema estratégico para os EUA

Estas novas iniciativas - quer no terreno do CPV, quer no filme fino - são estrategicamente fundamentais para os Estados Unidos que caíram, numa década, para o terceiro lugar no mercado mundial dos painéis solares. Um mercado que é hoje liderado pelo Japão (48%, em que 25% é dominado pela Sharp) e Alemanha (com 20%, em que a Q-Cells AG detém uma fatia de 9%).

Países como a China (a empresa em destaque é a Suntech), Taiwan (com a Motech) e Espanha (com a Isofotón, sediada no Parque Tecnológica da Andaluzia, em Málaga) ameaçam a própria posição americana. Multinacionais como a Sharp (em colaboração com a Daido Steel), a Isofotón, a Concentrix alemã ("spin-off" do Instituto for Solar Energy, de Freiburg), a Spectrolab americana (da Boeing), a Amonix americana, a Solar Systems australiana e a Whitfield Solar inglesa ("spin-off" da Universidade de Reading) entraram, também, em força no CVP, pelo que o caminho da SolFocus não é uma passadeira vermelha.

O negócio mundial dos painéis solares rondou em 2005 os 12 mil milhões de dólares anuais com o fornecimento de 1727 MW e vários estudos apontam para mais de 51 mil milhões daqui a menos de 10 anos - um salto muito apetecível.


Contacto de media: Karen Arena

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