Singapura líder no cibergoverno

Jorge Nascimento Rodrigues analisa o Plano de Acção da cidade-Estado da Ásia
para ser número 1 no «e-government», a nova «buzzword» ascendente

Portal de Singapura | Site da Infocomm Development Authority of Singapore
Outros artigos sobre e-Government na Janelanaweb.com

Apesar do pioneirismo dos Estados Unidos em matéria de reinvenção da governação no princípio dos anos 90 (com o impacto do livro Reinventing Government e depois com o Plano de Acção de Al Gore na primeira Administração Clinton), coube à pequena cidade-Estado do sul da Ásia demonstrar um voluntarismo estatal muito acentuado em matéria de "webização" da Administração Pública nos últimos anos que lhe permitiu ser hoje considerada número 1 em "e-government" (disputando ultimamente o lugar cimeiro com o Canadá, segundo um recente estudo da Accenture).

Criticada por muitos analistas como pecando por "excesso de empreendedorismo estatal" e por "iluminismo burocrático na Era Digital", implicando centralização política e difusão de uma cultura censória, Singapura deu, no ano passado, mais um passo na senda da "computadorização" dos serviços públicos que havia iniciado no começo dos anos 80.

O atraso dos EUA

Em contraste, só agora um grupo de congressistas norte-americanos apresentou o "E-Government Act of 2001", que pretende atribuir um fundo anual de 200 milhões de dólares, criar um portal único governamental e um centro de ensino à distância via Web, que se espera poder entrar em prática no próximo ano. Este "atraso" dos EUA contrasta com o seu vanguardismo do princípio dos anos 90 quando a Administração tomou à letra as sugestões do livro escrito por Ted Gaebler e David Osborne que transformariam a "reinvenção da governação" na 'buzzword' da altura.

Faz, agora, um ano que Singapura lançou (em Julho de 2000) um Plano de Acção para transformar a cidade-Estado "no líder mundial em governação na economia digital" até 2003, a que alocou cerca de mil milhões de dólares norte-americanos (1,5 mil milhões de dólares de Singapura).

A palavra de ordem assumida foi "Reinventar o Governo na Economia Digital", a que se juntou, a partir de Julho de 2001, um programa nacional intensivo de literacia em tecnologias de informação, que prevê dotar, nos próximos três anos, 350 mil cidadãos (10% em 3,5 milhões de habitantes) com competências de ponta naquelas áreas, que, apenas, terão de desembolsar 20% do custo dos cursos de formação.

Uma longa marcha de 20 anos

Esta caminhada iniciou-se em 1981 com o designado "Programa de Informatização dos Serviços Públicos". «Nos últimos 20 anos, os nossos esforços passaram dos ganhos em produtividade com a informatização da Administração Pública nos anos 80, para a difusão da conectividade interna dentro do aparelho governativo em meados dos anos 80, para a construção de redes de EDI entre o governo e o mundo dos negócios no princípio dos anos 90, até à 'exploração' plena da Internet e da Web», refere-nos Wu Choy Peng, responsável pela gestão do Plano de Acção de "e-government" e chefe da área de Sistemas Governamentais da Autoridade de Singapura para o Desenvolvimento das Infocomunicações (Infocomm Development Authority of Singapore).

Com esta atitude vanguardista, o governo pretendeu, também, funcionar como "alavanca" da criação de procura nos vários segmentos de negócio da informática e das telecomunicações, «agindo como efeito de demonstração e vitrina», acrescenta o nosso interlocutor.

Fruto desta política, quase todos os documentos legais do Estado são hoje gerados electronicamente e cerca de 130 serviços governamentais estão a 100% disponíveis na Web, a qualquer hora e qualquer dia do ano. O sistema de correio electrónico governamental processa mais de 10 milhões de "e-mails" por mês.

As últimas medidas visíveis desenvolveram-se em duas vertentes - a do desenvolvimento do comércio electrónico de base web com o lançamento de um "e-Marketplace" denominado GeBiz.gov.sg (Government Electronic Business) e a criação de um amplo Centro do Cidadão (eCitizen Center) no sítio na Web do Governo no quadro de um conjunto de funcionalidades renovadas que incluem todas as 14 áreas de políticas, ligações a comunidades de interesses (mais de 20) e página própria (The Gov.sg Feedback Page) de recolha da opinião pública onde se podem dirigir críticas e colocar questões a qualquer membro do governo. O GeBiz é um portal seguro para parceiros do Estado que funciona como "porta única" de relacionamento da comunidade de fornecedores governamentais.

Do first, worry later

Em toda esta política de "webização", Singapura tem seguido uma curiosa máxima: "faça primeiro, preocupe-se depois" (DO FIRST, WORRY LATER), algo que se assemelha, em grande medida, à cultura de testes "beta" praticada na comunidade informática.

Explica-nos Wu Choy Peng: «Não podemos esperar meses ou mesmo anos para lançar um serviço público ou um novo sistema perfeito na Web. Adoptámos uma abordagem de prototipagem. Temos de nos focalizar no célebre tempo de chegada rápida ao mercado e aceitar a necessidade de afinar o serviço ou o sistema na prática, a partir do 'feedback' dos próprios utilizadores».

Página Anterior
Canal Temático
Topo da Página
Página Principal