Satyam

A pioneira do offshoring indiano

A Satyam foi considerada a mais bem gerida empresa indiana de serviços de tecnologias de informação e a segunda melhor do mundo no "ranking" de 2006 do The Black Book of Outsourcing. Uma das "big six" indianas que desafiam as "big six" norte-americanas e a europeia CapGemini.

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de www.janelanaweb.com, com Keshab Panda, Outubro de 2006

Sítio da Satyam | TOP 2006 The BlackBook of Outsourcing
50 Best Managed Global Outsourcing Vendors | Satyam em factos

TOP 5 de 2006
Affiliated Computer Services (EUA) | Satyam (Índia) | Cognizant (Índia)
Perot Systems (EUA) | Infosys (Índia)

Apesar de estar em quarto lugar na facturação e na capitalização de mercado no grupo das 'big six' indianas de prestação de serviços de "outsourcing" em tecnologias de informação (TI), a Satyam foi considerada a mais bem gerida no seu país e a segunda melhor no mundo.

Numa escala de 100, obteve 93,4 de pontuação na opinião de 70 mil responsáveis de empresas e da administração pública à escala mundial que costumam contratar este tipo de serviços fora de fronteiras. A avaliação envolveu 872 firmas em 63 países, especializadas na realização de funções e processos empresariais e outros serviços de TI, particularmente para multinacionais e grandes organizações públicas estrangeiras. Saliente-se que a empresa indiana 'saltou' do 19º lugar em 2005 para o segundo este ano.

O estudo sobre as 50 melhores empresas globais neste segmento foi concluído em Junho de 2006 e agora divulgado no 'The Black Book of Outsourcing - Top 50 best managed', pela consultora especializada na área, a The Brown-Wilson Group, da Florida. O "ranking" deste ano deu o primeiro lugar à Affiliated Computer Services, do Texas, e o segundo lugar à empresa indiana com base na pontuação em vários critérios: capital humano, envolvimento do CEO, estratégia e impacto da liderança, satisfação do cliente e do empregado e "performance". O envolvimento do CEO foi considerado o actual ingrediente fundamental.

Apesar de facturar anualmente apenas 20% dos resultados da Cap Gemini, a Satyam tem uma capitalização de mercado quase igual à consultora europeia.

Liderança distribuída

O segredo está nas práticas de gestão desta pioneira do "offshoring" que fará 30 anos em 2007. A Satyam é reconhecida como excelente em "liderança distribuída". "Isso traduz-se em tomada mais rápida de decisões", explica Keshab Panda, um doutorado pelo Indian Institute of Technology, de Mumbai (Bombaim), e actual vice-presidente da empresa, e responsável pelas operações na Europa. "As nossas práticas de gestão resultam na difusão de uma cultura de intra-empreendedorismo dentro da organização", alega Panda, que, antes de ingressar na Satyam, trabalhou na área espacial e da defesa. A Satyam pretende manter o espírito empreendedor inicial cultivado pelos dois irmãos fundadores Raju em 1987.

A empresa indiana afirma ser "centrada no cliente" e para tal estruturou-se no que designa de "círculos em rede", em que cada círculo se concentra num conjunto de serviços específicos, baseados no perfil de competências dos seus recursos humanos. O ponto central é o cliente. Os círculos são classificados em três categorias: unidades de negócio verticais; unidades de competências horizontais; e unidades de negócio regionais. A Satyam desenvolveu, ainda, um Índice de 'prazer' do associado (designação para os empregados) que avalia um conjunto de parâmetros, como satisfação no trabalho, "performance" individual, envolvimento com a estratégia e objectivos da organização. O índice está ligado a incentivos que engordam a parte variável da remuneração.

Apesar de não estar localizada na famosa área metropolitana de Bangalore (que absorve quase 50% da facturação anual em "offshoring" de TI da Índia), a Satyam foi fundada em Hyderabad, no estado ao lado, que é hoje considerada "a cidade emergente, mais competitiva para os serviços em TI", segundo Panda. En Chennai (a antiga Madras a que chegaram os portugueses em 1522), noutro estado limítrofe, a empresa criou, no ano passado, um laboratório de elaboração de cenários, designado por Futurus, onde os clientes podem simular e testar negócios futuros ligados a novas tecnologias de informação.

Depois de ter sido pioneira no "offshoring" de serviços de TI no final dos anos 1980, a Satyam está, agora, a a diversificar na oferta, subindo na cadeia de valor. "Estamos a apostar no fornecimento de soluções na parte mais alta dos serviços, nas áreas de análise e de "outsourcing" de processos baseados no conhecimento (o que se designa na gíria pelo acrónimo KPO)", refere Panda. O director da empresa indiana sublinha, ainda, a aposta numa "nova área emergente", a do "outsourcing" de serviços de engenharia (designada por ESO), considerada pela Nasscom (a associação indiana das empresas de software e de serviços em TI) como uma nova oportunidade.

Estratégia de proximidade na Europa

Apesar da Índia continuar a ser, à escala mundial, o principal destino dos contratos de "outsourcing" de tecnologias de informação (65% do "offshoring" de serviços e 46% do "outsourcing" de processos de negócio, designado na gíria por BPO), a Satyam iniciou uma estratégia de proximidade da prestação de serviços aos clientes na Europa.

Depois da aquisição em Londres da Citisoft no ano passado e da abertura de centros de desenvolvimento no Reino Unido e na Hungria, Keshab Panda, responsável pela estratégia europeia na Satyam, refere que a aposta será por "um posicionamento de "nearshoring", avaliando localizações estratégicas na União Europeia, criando centros "nearshore" a partir da Europa de Leste". A empresa pretende aproveitar a mudança de atitude na Europa: "Tradicionalmente, as empresas europeias têm sido muito lentas na adopção do "offshoring", mas agora a tendência está a mudar. Pensamos que o "outsourcing" de TI e o BPO vão disparar em breve no vosso continente".

Panda confessa que Portugal ainda não está no radar, apesar de algumas suas concorrentes já terem "descoberto" o nosso país - como o caso da Wipro que adquiriu a Enabler ao universo Sonae. "Mas, a nossa equipa de Fusões & Aquisições não está nunca quieta e avalia constantemente oportunidades no globo", afirma aquele responsável.

Satyam em factos
 Fundação: 1987.
 Fundadores: Os dois irmãos B.Ramalinga Raju (actual Presidente) e B. Rama
 Raju (actual CEO).
 Localização: Hyderabad (6ª maior metrópole indiana), capital do Estado de
 Andhra-Pradesh (que fica ao lado do Estado de Karnataka, cuja capital é
 Bangalore).
 Centros de Desenvolvimento na Europa: Reino Unido (Basingstoke, Hampshire;
 40 km do porto de Southampton) e Hungria (Budapeste).
 Empregados (denominados de "associados"): 30.000 em 55 países.
 Grupo cotado em 4 bolsas: NYSE (Nova Iorque); NASDAQ (Nova Iorque); BSE
 (Bombaim Stock Exchange, a mais antiga bolsa da Ásia), NSE (Bolsa nacional
 da Índia, a 3ª maior do mundo em transacções).

Quadro Comparativo
 AS SEIS IRMÃS (Big Six) INDIANAS DO OUTSOURCING 
 Satyam
 Ranking 2006 de Excelência: 2º
 Facturação (mil milhões de dólares): 1,4
 Capitalização de mercado: 6,2
 Rácio CM/F= 4,4
 Cognizant
 Ranking 2006 de Excelência: 3º
 Facturação (mil milhões de dólares): 0,9
 Capitalização de mercado (mil milhões de dólares): 9,7
 Rácio CM/F= 10,7
 Infosys
 Ranking 2006 de Excelência: 5º
 Facturação (mil milhões de dólares): 2,2
 Capitalização de mercado (mil milhões de dólares): 24,35
 Rácio CM/F= 11
 Tata Consulting Services
 Ranking 2006 de Excelência: 7º
 Facturação (mil milhões de dólares): 2,9
 Capitalização de mercado (mil milhões de dólares): 10,5
 Rácio CM/F= 3,6
 HCL
 Ranking 2006 de Excelência: 8º
 Facturação (mil milhões de dólares): 0,8
 Capitalização de mercado (mil milhões de dólares): 3,9
 Rácio CM/F= 4,9
 Wipro
 Ranking 2006 de Excelência: 40º
 Facturação (mil milhões de dólares): 2,3
 Capitalização de mercado (mil milhões de dólares): 17,9
 Rácio CM/F= 7,8
Para comparação
 EDS (EUA)
 Ranking 2006 de Excelência: 36º
 Facturação (mil milhões de dólares): 19,7
 Capitalização de mercado (mil milhões de dólares): 12,37
 Rácio CM/F= 62%
 Accenture (EUA)
 Ranking 2006 de Excelência: 22º
 Facturação (mil milhões de dólares): 17,1
 Capitalização de mercado (mil milhões de dólares): 16,6
 Rácio CM/F= 97%
 CapGemini (Europa)
 Ranking 2006 de Excelência: 15º
 Facturação (mil milhões de dólares): 6,9
 Capitalização de mercado (mil milhões de dólares): 7,0
 Rácio CM/F= 1,1
 Fonte: The Black Book of Outsourcing

Contacto de media: priti_thakker@satyam.com

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