A Web do futuro começa com... o CURL

Apresentado por Robert Young, o CEO da Curl Corp

A empresa norte-americana de Cambridge (Boston) apadrinhada por Tim Berners-Lee, o criador da World Wide Web, acaba de lançar comercialmente uma nova linguagem de programação e um novo formato para a distribuição de conteúdos na Internet. O nome do baptismo é CURL. Um projecto do Massachusetts Institute of Technology apoiado pela DARPA, a mesma agência que nos anos 60 financiou a ARPANET que daria origem à Internet. Os analistas dizem que o futuro da Web está a passar por aqui.

Jorge Nascimento Rodrigues entrevista Robert Young, visto pelo traço de Paulo Buchinho

Download do software | Galeria de Demonstração
Concurso Desafio a Programadores Curl Programming Contest
(a aplicação mais «coolest» será premiada com 1000 dólares)

Robert Young (Bob) é um veterano da computação. Começou na IBM onde trabalhou 18 anos tendo chegado a presidente da IBM Instruments, uma subsidiária da multinacional. Doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT), ele participa no Departamento de Ciências da Computação e de Engenharia Eléctrica daquele reputado Instituto de Cambridge, do outro lado do rio que ladeia Boston, nos Estados Unidos. Co-fundou esta start-up juntamente com nomes célebres daquela Escola. Na primeira linha do projecto estão Michael Dertouzos, director do Laboratório de Ciências da Computação do MIT e autor de vários livros, dois deles recentes - What Will Be e The Unfinished Revolution, que falam justamente da revolução inacabada da Internet - e Timothy J. Berners-Lee, o criador da Web no final dos anos 80 e actual líder do Consórcio da World Wide Web (conhecido por W3C).

A Curl Corporation foi constituída em 1998 com o objectivo de comercializar os resultados de um projecto trienal de investigação no MIT lançado pelo Consórcio da World Wide Web e financiado com uma verba de 1 milhão de contos pela famosa Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA), a agência ligada ao Departamento de Defesa, criada em 1958 pelos norte-americanos, que viria a «apadrinhar» projectos tecnológicos revolucionários como a ARPANET em 1968, que daria origem à Internet.

Três anos depois da fundação, no final de Março passado, a Curl lançou publicamente o seu produto comercial e recolheu o aplauso entre os analistas. Os paradigmas em que se baseia esta linguagem - o retorno ao poder desperdiçado do computador que o leitor tem em cima da mesa e o desenvolvimento de um software que permite uma estratégia de «unificação» do díspar ambiente tecnológico em matéria de programação - são traços que hoje em dia cada vez marcam mais o futuro da Web.

Bob convida-o a fazer o «download» do software e aos programadores a concorrer num concurso a partir do «site» em www.curl.com.

Para o final do ano, a empresa espera poder disponibilizar detalhes sobre uma infraestrutura aberta, sendo aderente do movimento «Open Source».


Robert Young Em que sentido a tecnologia Curl é o mais «quente» desenvolvimento actual da Web? Trata-se, apenas, de palavreado de marketing, ou é o primeiro passo sério da Web neste período pós-dot.com?

R.Y. - Nós cremos que esta tecnologia é o futuro da Web. A ideia é potenciar o lado do «cliente» na computação, reduzindo o volume dos «downloads» e integrando num conjunto «sem costuras», coerente, as diversas tecnologias de desenvolvimento da Web que se apresentam fragmentadas. O Curl é um novo conceito, uma nova categoria - é a próxima geração de design, desenvolvimento e conteúdos na Web. Usando o poder disponível nos aparelhos «clientes» (nos computadores dos utilizadores), a nossa solução mistura a riqueza das tecnologias «gordas» com a flexibilidade e rapidez das apelidadas de «magras».

Mas porquê fazer essa mudança em direcção ao «cliente»?

R.Y. - Bom, se as pessoas estão satisfeitas com a «performance» actual da Web, então não precisam do Curl para nada. Mas toda a gente sabe que há uma enorme insatisfação por parte de utilizadores como de programadores ou de empresas. A Web actual baseia-se na comunicação de enormes e estáticas páginas de HTML. Estas páginas estão baseadas num servidor, são dificeis de fazer manutenção e actualização, levam imenso tempo a ser «descarregadas» e utilizam muito poder de processamento. Os programadores da Web enfrentam por vezes opções dificeis, devido a um sem número de distintas linguagens e de incompatibilidades entre «browsers», e vêm-se obrigados a sacrificar aspectos dinâmicos em função do mais baixo denominador comum em termos de funcionalidades. Quanto aos utilizadores ficam frustrados com o tempo de resposta quando querem visualizar algo interessante em 2D ou 3D, ou animações, e acabam por desistir.

Em que sentido isso exige uma mudança de paradigma se assim se pode chamar?

R.Y. - A nossa solução pretende revolucionar o desenvolvimento da Web usando o poder computacional «adormecido» no lado do «cliente», chutando a aplicação do servidor Web para o coração da rede, o computador do utilizador.

E como enfrenta a actual dicotomia entre programadores e autores de conteúdos?

R.Y. - Criando um outro paradigma, o de um ambiente unificado. O Curl é tanto um formato de distribuição de conteúdos (como é o HTML), como uma linguagem de programação (como são o Visual Basic, o C++ ou a Java). Como sabe, há diversas soluções isoladas umas das outras para a programação na Web: por exemplo, HTML, para uma dada função, os CGI para outra, e o Java (da Sun) e o Flash (da Macromedia) para aplicações interactivas. Ora, cada uma destas tecnologias de per si só resolve parte do problema. «Colar» actualmente estas diversas ferramentas é dificil e requer competências em todas estas tecnologias. O que nós fazemos com o Curl é fornecer um ambiente unificado. O Curl Content Language permite quer a programadores como a fornecedores de conteúdos usar a mesma arquitectura. Permite que o trabalho de cada parte, feito em separado, seja integrado com facilidade.

Mas quais são as vantagens palpáveis para o utilizador?

R.Y. - Salientarei três, desde já: redução dos tempos de «donwload», diminuindo o tamanho das páginas Web; aceleração da resposta por parte do utilizador, pelo facto de processar a partir do «cliente» (do computador do utilizador); e permitir uma experiência de «media» muito mais rica. Em certos casos, vimos mesmo a nossa tecnologia decuplicar a «performance» de um site na Web. O Curl disponibliza uma solução quando o objectivo é reduzir o número de transações de comércio electrónico abortadas. Por isso, não se trata de mero marketing, repito. Por exemplo, a nossa solução para conteúdos (Curl Content Language), de que falei acima, tem mais de 4000 APIs (application program interfaces), o que é comparável ao número encontrado para os sistemas operativos do Windows ou do Macintosh.

Porque razão fundaram a Curl Corporation?

R.Y. - A empresa foi criada em 1998 com o objectivo de ampliar e comercializar os resultados de um projecto de três anos financiado pela DARPA com 5 milhões de dólares (1 milhão de contos) realizado no MIT. A DARPA reconheceu a necessidade de novos standards e novos modelos para proteger o poder da Web. Concedeu um financiamento para a criação do Consórcio da Word Wide Web (conhecido pelo acrónimo W3C) e para o projecto Curl, no sentido de desenvolver a próxima geração de software de comunicações e computação. Veja o problema que temos pela frente: a Web continua a crescer desmesuradamente. A IDC calcula que o número de utilizadores activos da Web crescerá dos 327 milhões, no final do ano passado, para os mil milhões em 2005. O número e o tamanho dos web «sites» aumentou incrivelmente e continua a aumentar. Um estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley descobriu que, no final do ano passado, existiam mais de 24 milhões de «sites» na Web com um total superior a 2,5 biliões de páginas, com um crescimento de 7,3 milhões de páginas por dia! A isto acrescente o disparo do tráfego «online» oriundo de outros aparelhos «clientes», para além do computador - tal como os telemóveis, os «assistentes pessoais digitais» (na gíria conhecidos como PDA) e as «set-top boxes» das televisões. A solução Curl veio antecipar a resposta a esta tendência. Criámos um suporte multi-plataformas.

Qual tem sido o papel pessoal de Tim Berners-Lee e do professor Dertouzos?

R.Y. - A Curl foi fundada quer por homens de negócios como por gurus do MIT. A equipa técnica foi liderada por Stephen A. Ward, um cientista da computação internacionalmente conhecido. Entre os fundadores estão Michael Dertouzos, director do Laboratório de Ciência da Computação do MIT, e Tim, o criador da Web e director do Consórcio. Tim reune com a equipa de gestão e com o pessoal de engenharia regularmente, iluminando-nos sobre a direcção em que seguirá a tecnologia Web no futuro.

Página Anterior
Topo da Página
Página Principal