Fornecedores já não são parente pobre

A gestão eficiente das compras e um «outsourcing» inteligente serão
no próximo século uma das vantagens competitivas mais cobiçadas,
segundo um estudo da ATKearney agora divulgado em Novembro de 1999

Jorge Nascimento Rodrigues com Alejandro Blumentals da ATKearney
© JNR, Divulgação em exclusivo na Janela na Web e no Expresso

Se quiser fazer parte do universo a inquirir em próximo estudo
O site da ATKearney | As tendências em alta | O Disparo do Outsourcing
 Resumo de um novo estudo recente da ATKearney para a ELA-Assoc. Europeia de Logística 

Os gestores estão a dar uma atenção nova aos fornecedores. Estes começam a ser encarados como parceiros de corpo inteiro e não como meros mecanismos de redução de custos, conclui um estudo da consultora ATKearney sobre a «Excelência nas Compras» («Assessment on Excelence in Procurement», no titulo original), agora divulgado, e que abrangeu mais de 160 inquiridos em 28 países em vários continentes do mundo.

Em relação ao inquérito anterior («Leadership Practices in Procurement»), realizado há três anos (1996), esta diferença de sensibilidade é nítida. «As compras estão a deixar de ser um parente pobre, encaradas como função de suporte, e começam a ser olhadas como peças fulcrais da estratégia da empresa. As firmas com melhores práticas que participaram nesta nossa avaliação vêm as compras como um processo estratégico e não como um mero expediente de corte de custos»», afirmou-nos Alejandro Blumentals, o líder do estudo na Europa, que lamenta que firmas portuguesas não tenham querido integrar a amostra.

 Se pretender fazer parte do universo do inquérito da ATKearney candidate-se aqui 

Para muitos responsáveis do sector de compras, mudar amiúde de fornecedor à procura do mais barato ou mais vulnerável e «espremer» até ao limite os custos são o supra-sumo da excelência na gestão. Este estudo da ATKearney vem dizer que as melhores práticas na área não são essas. Para mais de 1/3 dos inquiridos, uma boa gestão das compras será crítica para as áreas de marketing e da inovação.

«O papel integrador das compras está em ascensão junto dos gestores, pois as empresas percebem cada vez melhor que a inovação e o marketing dependem também do envolvimento e apoio dos fornecedores», refere o nosso interlocutor, que fornece como «prova dos nove» o facto de que «as empresas mais excelentes nesta integração obtêm para os seus accionistas um retorno 5 vezes superior às outras empresas da amostra». Também são essas empresas excelentes na relação com os fornecedores que acabam por obter reduções de custos mais significativas - a diferença é de 2:1 neste campo.

Atente nestes números:
  • As empresas líderes com boas práticas no «procurement» obtém um ROE (return on equity, após imposto sobre acções) de 24%, enquanto que as outras apenas chegam aos 5%
  • As empresas líderes conseguiram uma redução de custos da ordem dos 5%, enquanto que as outras apenas obtiveram um ganho de 2,5%
  • Práticas excelentes

    Por «excelência», o estudo da ATKearney sobre as compras refere as seguintes boas práticas:
  • integrar os fornecedores desde o princípio do processo de desenvolvimento do produto de modo a conseguir uma maior sintonia com as necessidades do cliente final e a comprimir o tempo do ciclo de desenvolvimento;
  • capitalizar o máximo com as competências dor fornecedores em Investigação & Desenvolvimento, inovação e tecnologia;
  • estudar em conjunto com os fornecedores novas oportunidades de mercado;
  • desenvolver estratégias conjuntas de marcas, vendas e publicidade.

  • Em suma, «nunca subestime as capacidades de inovação dos seus fornecedores», aconselha o estudo. Se hoje essa vantagem competitiva a dois é apenas valorizada em 5% no conjunto da estratégia da empresa, em 2001 ela já pesará 30%. Os mais rápidos a descobrirem este segredo ganharão uma vantagem distintiva.
    Algumas empresas da amostra puseram em prática inclusive incentivos fora do comum aos fornecedores. Em casos referidos no inquérito relativos à produção de massa e na indústria química, os fornecedores podem ganhar uma margem adicional de 5% se oferecerem soluções inovadoras. No sector automóvel, por exemplo, começa a ser prática corrente o fornecedor poder ganhar mais 10% no preço se não oferecer à concorrência no prazo de um ano um dado sistema inovador, ou seja se inovar em exclusividade durante essa janela de tempo.
    O estudo revela, ainda, que as diferenças qualitativas mais gritantes entre as empresas excelentes e as outras situam-se em novas áreas críticas do management:
  • na gestão das relações com fornecedores,
  • na gestão do conhecimento,
  • na gestão das operações,
  • e na gestão dos talentos.
  • A Revolução da Web e o seu impacto

    Por isso, segundo o estudo da ATKearney, o «outsourcing» não vai abrandar no próximo século; pelo contrário, o peso das compras na facturação deverá subir de dois pontos percentuais até 2001 e nalguns casos, como na produção industrial em massa, poderá atingir quase os 60% em média. Comparado com o estudo anterior de 1996, as aquisições a fornecedores aumentarão até 2001 em 6 pontos percentuais.
    A tendência para adjudicar a terceiros tudo o que não são competências nucleares (no conceito de «core competencies» introduzido por Gary Hamel e C.K.Prahalad) prosseguirá inelutavelmente. Essas competências a «comprar» fora poderão inclusive estar em áreas consideradas intocáveis até há pouco como a investigação e o design. Contudo, serão nas áreas da manutenção e reparação, da logística, dos serviços de informação e comunicações e dos serviços de escritório que os mercados de maior crescimento na aquisição externa estarão situados em 2001.
    Com a massificação da Internet e o advento da Web esta tendência acentua-se ainda mais e as compras sofrem mudanças radicais. A viragem dos gestores para as compras a fornecedores através da Internet está bem patente no facto de 20% declararem que o farão regularmente em 2001, enquanto que hoje apenas 1,6% o faz. Essa viragem ocorrerá tanto na América do Norte como na Europa, mas os aderentes americanos serão o dobro dos europeus.
    Fruto da virtualização, o pessoal do sector de compras dentro da empresa poderá ser reduzido de 2/3 dentro de dois anos e estão a desenvolver-se novos tipos de mercado (como os de encontro «on line» em tempo real ou diferido entre fornecedores e compradores, com fixação dinâmica de preços, incluindo leilão) e novos tipos de intermediários especializados em acrescentar valor nas transações na Web.

    TENDÊNCIAS EM ALTA
  • Fornecedores deixam de ser considerados «parentes pobres»
  • As compras são um processo estratégico e não uma função
  • Os fornecedores são cada vez mais importantes para a I&D, a inovação e o marketing
  • O recurso às compras a fornecedores através da Internet vai aumentar de 20 vezes até 2001
  • A gestão das relações com os fornecedores, a gestão do conhecimento, a gestão das operações e a gestão dos talentos são as questões críticas para os responsáveis das compras
  • DISPARO DO «OUTSOURCING»
  • Os gastos em compras a fornecedores passarão de 46% da facturação em 1998 para 48% em 2001
  • Todas as competências não nucleares tendem a ser compradas a fornecedores e não mais adquiridas dentro da empresa
  • Em 2001, 28% dos participantes americanos e 14% dos europeus farão compras a fornecedores via Web
  • O Pessoal do sector de compras poderá ser reduzido em 2/3
  • Manutenção e reparação, logística, tecnologias de informação, serviços de escritório e design de engenharia formam o «top 5» das áreas mais adjudicadas a fornecedores
  • Página Anterior
    Canal Temático
    Topo da Página
    Página Principal