Portugal
HOMEBANKING DE FRALDAS

Avaliação por Paulo Querido (pquerido@ctotal.pt)

A BANCA portuguesa parece desconfiar da Internet. O «homebanking» é uma óptima palavra para incluir nas brochuras, mas salvo raras excepções não passa da fase de «marketing».

As instituições financeiras do país têm chegado sempre atrasadas às diversas fases do processo de instalação na Internet e a disponibilização de serviços pela rede está mesmo no início.

O catálogo nacional do SAPO (Serviço de Apontadores Portugueses - www.sapo.pt) tem mais de 50 entradas no sector «Instituições Financeiras», sendo metade delas relativas a bancos. Porém, dessas duas dúzias com «websites» contam-se pelos dedos de uma mão os que oferecem algum tipo de serviços classificáveis de «homebanking» (ver quadro). E mesmo estes têm um leque reduzido de opções, limitado às consultas e alguns dos serviços básicos existentes nas caixas Multibanco.

Na fase dois da entrada na Internet, os bancos portugueses cometem um dos erros básicos que deviam evitar, aprendendo as lições dos pioneiros na matéria: tornam o «balcão virtual» numa extensão dos balcões normais, desprezando em absoluto a cultura típica dos habitantes do ciberespaço e não tirando partido da tecnologia.

Já na primeira fase, que consiste em assegurar presença na web através de uma «homepage», os bancos nacionais tinham errado por completo na estratégia, condenando os seus «sites» ao abandono.

Alguns, como o Grupo BFE, entraram com demasiadas ambições e não foram capazes de aguentar o peso da própria estrutura, acabando por desistir. Mas a maioria limitou-se às páginas-cartão de visita, recheadas de contactos e sem um traço de interacção. Mesmo o correio electrónico, essa ferramenta básica de comunicação na Internet, foi largamente desprezado, levando por seu turno os cibernautas a ignorarem os bancos «on line».

A Bolsa e, mais recentemente, o Euro deram algum alento às estáticas páginas da banca portuguesa na web mas até a liderança na informação, que seria naturalmente sua, foi perdida para os ágeis e melhor instruídos produtores de conteúdos que no último ano lançaram boletins de informação financeira em formato digital.

O Canal de Negócios, em www.negocios.pt, é uma «newsletter» electrónica de boa qualidade, que apresenta os principais índices actualizados diariamente, bem como noticiário sobre o sector.

A imaginação e a agilidade são os principais ingredientes para montar «websites» de sucesso e nenhum dos bancos portugueses tem uma ou outra.

Entre os mais afoitos, ou menos paralisados, contam-se o Banco 7 (Grupo BCP). A aposta principal é no «telebanking», mas as soluções ensaiadas na Internet merecem relevo. Os clientes do «homebanking» do Banco 7 podem consultar os seus saldos e ainda efectuar algumas operações bancárias simples num ecran semelhante ao do Multibanco. Praticamente ao mesmo nível estão o Barclays, com o serviço «netbanking», e o Santander com o serviço SuperNet.

Também o Banco Espírito Santo possui o Besnet, onde anuncia a possibilidade de efectuar transferências, mas a demonstração falhou sucessivamente ao longo desta semana. O Atlântico anuncia igualmente as transferências conta-a-conta, mas também não pudemos aceder à sua demonstração «on line».

Outras instituições, como o Banco Totta & Açores, foram pioneiras em «homebanking» lançando o serviço através de uma rede fechada, em que o cliente se ligava por «modem» a um servidor próprio. Porém, e infelizmente, o BTA manteve-se no círculo fechado e não aderiu à Internet. A sua «homepage», em www.bta.pt, contém apenas alguma informação sobre o Euro. A Caixa Geral de Depósitos teve uma abordagem à Internet diferente da maioria e embora não aposte no «homebanking» o seu sítio, em www.cgd.pt, é uma referência nacional.

HOMEBANKING EM PORTUGAL
BANCO SERVIÇOS POSITIVO NEGATIVO
 Banco7
 www.banco7.pt
consultas, operações, câmbios, bolsa, simulações de crédito a maior oferta de serviços homebanking, incluindo pagamentos, e netphone serviços anunciados ainda indisponíveis; demonstração lenta
 Barclays Net
 Banking
 www.barclays.pt
consultas, operações, informação fiscal, Euro, guia de investimento boa oferta de serviços; «site» funcional; demonstração leve grafismo e linguagem colados aos dos balcões
 Santander
 SuperNet
 www.santander.pt  
saldos, movimentos, cheques, consulta de fundos simplicidade e funcionalidade gama de serviços limitada: faltam  as operações
 Atlântico
 www.bpa.pt
anunciam-se consultas e transferências, ordens de compra e netphone informação sobre o Euro mau grafismo, «site» caótico, informação nula sobre os serviços
 Espirito Santo
 BESNet
 www.bes.pt
anunciam-se consultas e operações campanha de marketing agresiva demonstração nunca conseguida
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