PETRÓLEO AO RUBRO

Analistas Falam de Novo «Choque» Petrolífero
com o Barril a Mais de 25 Dólares

Jorge Nascimento Rodrigues entrevista em exclusivo Colin Campbell e Jean Laherrère

 The Coming Global Oil Crisis Home Page | Site alimentado por Jay Hanson 
Veja as cotações do barril
«The End of Cheap Oil», artigo na Scientific American
«The Coming Oil Crisis» (compra do livro)
As projecções de produção em 42 países produtores de petróleo

Depois de uma fulgurante descida de uma cotação de mais de 20 dólares por barril em Janeiro de 1997 para pouco mais de 9 dólares em Dezembro de 1998, a tendência de baixa no preço do crude alterou-se radicalmente durante 1999.

Verdadeiro desmancha-prazeres, o barril saltou da faixa dos 9-10 dólares para valores que já ultrapassaram hoje os do princípio de 1997 (ver quadro).

Com o barril, esta semana, a 24-26 dólares, o mundo dos petróleos ficou ao rubro e o debate «on line» aqueceu nos foruns onde esta gente ligada ao ouro negro troca «emails». A piada de tudo isto, é que o ano de 2001 veio, também neste caso, à baila. E, uma vez mais, por razões que não auguram optimismo.

 PREÇO DO CRUDE POR BARRIL (dólares US) 
 Meses West Coast Dubai 
 Janeiro 1997 23,59 21,27 
 Dezembro 1997 16,93 17,18 
 Janeiro 1998 10,58 10,79 
 Dezembro 1998   9,36 10,12 
 Janeiro 1999 10,58 10,79 
 Dezembro 1999 24,63 23,63 
 Janeiro 2000 25,75 23,28 
 Fevereiro 2000 27,73 24,68 
 Março 2000 28,06 25,13 
 Abril 2000 24,06 22,03 
 Maio 2000 27,07 25,51 
 Junho 2000 29,51 27,29 
 Julho 2000 27,60 26,01 
 Agosto 2000 29,37 27,03 
 Setembro 2000 32,26 29,76 
 Outubro 2000 33,05 30,22 
 Novembro 2000 34,37 30,10 
 Fonte: www.revenue.state.ak.us/oil/index.htm
 Obs: Para os meses são médias das cotações diárias
 segundo as estatísticas da Bloomberg

Todos os analistas estão na expectativa da reunião da OPEP de Março e as duas correntes - optimistas e pessimistas quanto ao preço do barril - trocam apostas: irá a OPEP jogar politicamente num preço alto ou abrirá a torneira.

O choque em curso...

Para Jean Laherrère, um geólogo e geofísico francês, que trabalhou para a Total, e considerado uma das referências actuais no debate, «já estamos no 'choque' petrolífero, com a subida havida em pouco mais de um ano». Para ele, o petróleo (convencional) atingirá um pico de produção mundial a meio desta década, a partir do qual se seguirá uma curva descendente com escassez previsível e com preços que dificilmente voltarão a ser baixos.

«É impossível que as pessoas acreditem que é possível ter o petróleo - excluindo os impostos - mais barato do que uma garrafa de água», ironizou em declarações que nos prestou. «Segundo os meus estudos, prosseguiu Laherrère, o preço do barril no caso de produtores como a Venezuela ou o Golfo Pérsico tem de ser 'caro', à volta dos 25 dólares, para que a exploração e produção seja rentável».

Laherère escreveu com Colin Campbell há quase dois anos um artigo polémico na revista «Scientific American» com o título sugestivo de «O Fim do Petróleo Barato» (edição de Março de 1998), um trabalho premonitório na altura em que o barril andava pelos 10-11 dólares.

O irlandês Campbell tinha escrito um ano antes um livro também muito óbvio - «A Crise do Petróleo a Caminho» (compra do livro). Ele edita uma página na Web que foi baptizada, muito a propósito, de The Coming Global Oil Crisis Home Page, em www.oilcrisis.com, que tem atraído muita curiosidade.

... ou em 2001...

Para Campbell, muita gente continua sem perceber o peso renovado do Médio Oriente. «Até 1985, a quota de fornecimentos por parte desta zona bateu no fundo, indo aos 18%. Mas, depois, voltou a crescer e deverá atingir os 35% em 2002 e eventualmente os 50% em 2009», referiu-nos. As consequências seriam óbvias: «É de esperar que este controlo do mercado se reflicta, de novo, numa subida de preços do crude. Este meu cenário aponta para um 'choque' no próximo ano que já pode estar a ser preparado agora».

Para estes analistas, o preço do barril poderá subir a uma faixa entre os 30 e os 40 dólares durante a década. Diz-nos Campbell com gravidade: «Trata-se de um aumento absolutamente previsível. Os governos, as petrolíferas e os relatórios oficiais têm uma grande relutância em abordar o assunto do pico histórico provável da produção mundial de petróleo em 2008-2009 e da subsequente curva descendente. Ora é de esperar que depois deste pico se dê uma daquelas descontinuidades que marcam a Humanidade».

Para os dois especialistas ouvidos, a maioria das informações «oficiais» são puramente políticas e a diferença entre os pessimistas (em que eles se incluem) e os optimistas seria um problema de informação. «Nós estamos mais bem informados e não nos deixamos iludir pelas estatísticas oficiais», afirma Laherrère, que vai buscar em seu apoio o estudo feito por Richard Duncan e Walter Youngquist sobre as curvas de produção de 42 países, em que fica visível a previsão de um declínio geral nas décadas de 10 e 20 do século XXI (consultáveis em www.dieoff.org/42Countries/42Countries.htm).

... ou ao contrário

O debate aqueceu um pouco mais com a publicação, agora, de um artigo na revista Foreign Affairs (edição de Janeiro/Fevereiro 2000) que vem falar de um 'choque' ao contrário. Intitulado «Os choques de um mundo com petróleo barato» (não disponível on line em www.foreignaffairs.org), o trabalho de investigação de Amy Jaffe, editora do Petroleum Intelligence Weekly, e de Robert Manning, director de estudos no Council of Foreign Relations norte-americano, vem dizer o contrário do que o irlandês e o francês andam a dizer.

Argumentam que as reservas realmente existentes são muito superiores ao que se declara e que o futuro verá o crude a ser jorrado abundantemente a preços que não ultrapassarão os 20 dólares. Este petróleo barato e abundante vai provocar, de facto, um 'choque', mas ao contrário - quem o vai sofrer são os países produtores, e em particular o Médio Oriente e a América Latina, onde os regimes vigentes vivem dos rendimentos da venda dos barris.

Jaffe e Manning são «pessimistas» quanto ao resultado dessa situação nesses países, antevendo complicações geo-políticas e grande turbulência interna.

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