As Empresas do Vale em discurso directo

Oracle: O «network computer»
está por todo o lado

Sempre sem papas na língua, a empresa líder nas bases de dados garante que a Era do PC está morta e revela um optimismo à prova de qualquer arrefecimento na economia digital norte-americana

Jorge Nascimento Rodrigues, em Redwood Shores, com Mark Jarvis, vice-presidente
de Marketing

Das empresas do 'hi-tech' do Silicon Valley, a Oracle sempre foi das mais polémicas e o seu fundador e líder, Larry Ellison, é conhecido por não ter papas na língua. O auto-convencimento é notório e a sua guerra contra o império Windows é proverbial. As respostas de Mark Jarvis, o seu responsável de marketing à escala mundial, falam por si.

Garante que a liderança no seu negócio histórico, as bases de dados, continua intocável e que o segmento emergente dos ERP acabará por lhes cair no regaço, acusando a europeia SAP de ter 'uma arquitectura errada para a Internet'. Ao cenário de uma primeira crise na economia digital americana, responde com um optimismo transbordante.

O que condiz com o quartel-general da empresa junto à Baía de São Francisco, em Redwood Shores, que é simplesmente imponente. Uma enfiada de seis torres azul-marinho em formato de disco são a imagem de marca que se pode ver da autoestrada 101 que corre ao longo do Vale e formatam um novo parque industrial na linha de costa, onde se encontra, também, um centro DHL e o novo poiso da Macromedia.


Consta que no vosso mercado histórico, as bases de dados, a Oracle está a ser 'ensadwichada' entre a IBM no segmento alto de clientes e a Microsoft no segmento baixo. Como vão contra-atacar?

Os números divulgados pela Dataquest, que estão por detrás da sua pergunta, estão incorrectos, pois não avaliam a IBM e a Oracle em termos equiparáveis - os números dados para a quota de mercado da IBM incluem facturação derivada de serviços e de apoio ao cliente, enquanto que no caso da Oracle não estão incluídos. A única comparação correcta é a que fez a IDC, medindo a facturação gerada pelo licenciamento. E, segundo, esta última, a Oracle mantém 40% do mercado e a IBM apenas 19%. Somos, indiscutivelmente, o número um e ponto final. A nossa quota ultrapassa as da IBM, Microsoft, Sybase e Informix juntas.

Nas aplicações de ERP para as empresas, hoje muito em voga, será que a Oracle conseguirá bater a SAP, a empresa europeia líder mundial neste segmento emergente?

Nos anos 60, alguém acreditava que um ser humano colocaria o pé na Lua? Nos anos 80, alguém esperava que a Microsoft passaria à frente da IBM? É claro que a Oracle há-de bater a SAP! A SAP tem a arquitectura errada [enfatiza o nosso interlocutor] para o ambiente Internet e nós temos ainda um avanço de três anos em matéria de arquitectura e de produto. Ainda recentemente, os analistas divulgaram que, no mercado norte-americano, as vendas da Oracle em software empresarial para o terreno fabril já ultrapassaram as da SAP.

Porque é que o 'Computador de Rede' (o Network Computer), o mágico NC do vosso marketing, parece ter sido um estrondoso fracasso? O que é que está a correr de errado neste movimento estratégico para bater a Era do PC e do Windows?

Essa agora! O NC foi um falhanço?! Não, não e não. As TVs são agora computadores de rede. Os telefones são-no também. Os computadores do tamanho da palma da mão, também! Quer mais exemplos? O NC está vivo e bem vivo. Só que não lhe chamam NC.

Pois, há quem chame a isso tudo a 'galáxia digital'. E a própria Microsoft já entrou nessa corrida...

Nós já estamos a mover-nos para a Era pós-PC e ponto final. A Era do PC como a máquina dominante está a desaparecer rapidamente com a emergência dos novos aparelhos móveis baseados no protocolo da Internet. Basta olhar à sua volta!

Essa galáxia digital acelera a tal convergência de que tanto se fala hoje. É essa a vossa galinha de ovos de oiro?

Quantos mais aparelhos necessitarem de acesso à informação, melhor para a Oracle, porquê? Porque só nós temos a melhor tecnologia de servidor para aguentar com milhões de utilizadores.

É a plataforma Java a next big thing? Essa vossa combinação Java-Oracle é o caminho certo para bater a famosa plataforma da Wintel?

Meu caro, as pessoas que desenvolvem o software têm duas opções: Windows ou a Web. Se você se baseia no Windows, o que é que acontece? Você fica preso à tecnologia e aos standardes proprietários da Microsoft e ficará agarrado ao Visual Basil e ao Visual C++. Se escolhe a Web, o que é que ganha? A capacidade de criar aplicações que funcionam em muitas e diversas plataformas, incluindo o Windows, naturalmente. Por isso, a escolha é a Java. É altamente limitativo à sua carreira ser um programador em Windows hoje em dia. Toda a gente de tecnologia que está a sair das Universidades sabe o que é que quer ser? Programador em Java!

Qual vai ser a próxima killer application nesta economia digital emergente?

A corrida ao ouro vai ser em torno do comércio electrónico entre empresas, o que nós chamamos o business to business. E, meu caro, só a Oracle tem os produtos certos para ela!

Mudando, agora, para o terreno internacional. Qual foi o impacto da crise asiática no vosso negócio?

Como sabe, a Oracle costuma divulgar os seus resultados anuais um mês antes das outras grandes empresas de software, e, por isso, fomos o primeiro indicador de problemas na região. Mas o impacto na Oracle não foi assim tão mau como o que está a acontecer com outros. Continuamos a investir fortemente na região e a ver enormes potencialidades de negócio. Qualquer sinal de retoma será óptimo, é claro. A crise asiática provocou uma diversão - as empresas focalizaram-se nesse problema de curto prazo, e esqueceram o problema do bug do ano 2000, que continua a ser um problema real e onde continuamos a ver bons negócios à medida que as empresas se voltem para resolver esses problemas.

Está a Oracle preparada para um crash na Wall Street e no Nasdaq e para uma primeira crise na economia digital americana?

A Internet está num boom e você coloca-me uma questão dessas! O nosso negócio nunca esteve tão bom! Nós temos os produtos certos para as empresas que estão, agora, precisamente, a perceber o verdadeiro impacto que a Net terá. Estamos mais bem posicionados do que os nossos concorrentes para esta corrida ao ouro. A Oracle é um bom sítio para se estar neste momento.

Para finalizar, quais são as vossas perspectivas na Europa?

A Internet na Europa está uns três anos atrasada em relação aos EUA. O que é uma oportunidade. Significa que as empresas europeias podem aprender com os erros cometidos no mercado norte-americano e moverem-se mais rapidamente e certeiramente para o mundo do negócio electrónico. O que é, também, uma enorme oportunidade para a Oracle. Estamos decididos a capitalizar em cima de qualquer aumento de procura de software para o negócio electrónico. As vossas empresas têm duas opções: ou entrar no mundo do e-business ou arriscarem-se a sair fora do mercado. A Oracle quer ajudá-las a embarcar na primeira alternativa.

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