Nokia: A história por dentro

Revela o segredo centenário Flexibilidade, Flexibilidade, Flexibilidade (de adaptação)

Uma conversa com Martti Haikio, historiador finlandês e autor do livro agora lançado

«Nokia - The Inside Story» acaba de ser lançado em inglês no Reino Unido pela editora Pearson Education em colaboração com a Nokia e a Edita Publishing finlandesa. O seu autor é Martti Haikio, um historiador e "leitor" de História na Universidade de Helsínquia. Martti, de 52 anos, é uma referência na literatura finlandesa recente dedicada à revolução das telecomunicações e à inovação nesta indústria. «É o primeiro livro sobre a história da Nokia baseado nos arquivos da empresa, em entrevistas e na avaliação crítica académica», diz-nos o autor, que sublinha ainda o prazer de contar «a transformação de um velho produtor de papel finlandês num líder global nas telecomunicações».

Em mais de 100 anos de vida da Nokia, remexendo nos papeis de toda esta história, qual foi o segredo da longevidade que descobriu?

Flexibilidade, flexibilidade, flexibilidade para se adaptar às mudanças radicais na envolvente nos últimos 137 anos - guerras civis na Finlândia e mundiais, regulamentação e desregulamentação, novas inovações, nascimento da União Europeia e globalização, etc. É claro que a razão principal desta longevidade é que nunca houve bancarrota - é claro que uma empresa tem de ser lucrativa no longo prazo para sobreviver.

1991 o ano crítico - os donos pensaram em vender a empresa centenária

Qual foi o período mais crítico na vida da Nokia?

O ano critico foi 1991. A divisão de electrónica de consumo - produção de aparelhos de TV - estava a ter prejuízos elevados, o lucrativo mercado soviético tinha entrado em colapso, havia começado uma recessão profunda na Finlândia e uma mais suave nos mercados ocidentais e, para cúmulo, a estrutura de governação da empresa estava em profundíssima crise... Os donos pensaram inclusive em vender a empresa.

E como é que avalia a mudança de rumo nesses anos de que foi protagonista Jorma Ollila?

O que aconteceu é que a terceira revolução industrial se pôs em marcha - computadores (semi-condutores), inovações nas telecomunicações (GSM e Internet) e desregulamentação dos mercados de telecomunicações... e a Nokia soube apanhar o combóio. Não creio muito na 'globalização' - o que aconteceu há séculos, o mais tardar desde que os barcos a vapor começaram com o tráfego intercontinental e disparou o comércio internacional regular e previsível.

Qual foi a contribuição da Nokia para a imagem internacional actual da Finlândia?

É uma marca mundial, com uma carga muito positiva e moderna. Reforçou claramente a imagem nternacional do país como uma sociedade de alta tecnologia.

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