CAMPINAS HI-TEC

por Allan Claiton de Oliveira

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Uma viagem pelas cidades high-tech


Parte I

Certamente você já ouviu falar do Vale do Silício nos EUA que virou paradigma do desenvolvimento da indústria de alta tecnologia. Esta região, sede de algumas das mais importantes empresas de software e Internet do mundo, é praticamente marca registrada da Nova Economia.

Entretanto, o Vale do Silício americano não é o único lugar do mundo a atrair empresas de última geração e pagar altos salários a seus executivos. Outros pontos do mundo, incluindo outras regiões dos EUA, tiveram um desenvolvimento tecnológico tão impressionante que acabaram por mudar radicalmente a vida de seus habitantes. Conheça onde ficam estes oásis de prosperidade: as cidades high-tech

Silicon Valley, Califórnia

A região mais conhecida se encontra no estado da Califórnia, nos EUA, perto de SanFrancisco, na área que compreende as cidades de Palo Alto, Mountain View, Sunnyvale, Santa Clara, Milpitas, Cupertino e San José. É a Meca da tecnologia no mundo. Somente a cidade de San José emprega 252.900 pessoas em atividades relacionadas à tecnologia, segundo estudos da Nasdaq e da American Electronics Association. San Francisco foi identificada como a segunda maior cidade em velocidade de crescimento - 65% de crescimento em cinco anos. O salário típico em San José é de US$ 85.100 anuais, atrás somente de Seattle, como veremos depois. Os residentes de San Jose são os mais conectados dos Estados Unidos, com computador em 77% das residências.

Salários altos acabam não significando muito no Vale, que possui o mais alto custo de vida nos EUA, especialmente em moradia. Uma casa com apenas um quarto e uma garagem no subúrbio, por exemplo, custa não menos do que US$ 850 ao mês de aluguel.

Silicon Alley em NY

Uma brincadeira com Silicon Valley (alley em inglês significa ruela, beco), é uma faixa de 3 milhas no condado de Chelsea, na cidade de Nova Iorque. Caracteriza-se pela quantidade de pequenas empresas pontocom instaladas em velhos prédios do subúrbio.

Seattle

Terra da Microsoft e da Amazon, a área inclui os condados de King, Snohomish e Island, onde seus trabalhadores recebem uma média de US$ 129.259 ao ano, o maior salário médio dos Estados Unidos. Com um tempo horrível, frio e permanentemente chuvoso, não é de admirar que se pague tanto para as pessoas se mudarem para lá. A diferença entre os salários de quem trabalha ou não no ramo de tecnologia é de fantásticos 220%, o maior no país; 64% das residências possuem computador.

Boston e Cambridge

A área ao longo da Autopista 128, também chamado “East Silicon Valley” é a 2a maior área receptora de Venture Capital nos Estados Unidos e inclui as cidades de Boston e Cambridge. Com 234.800 empregos high-tech, fica somente atrás do Silicon Valley. A cidade de Cambridge tem nas suas 6,2 milhas as universidades Harvard e MIT, e um sem-fim de empresas high-tech, especialmente da área de segurança de informações. Entre estas encontramos Security Dynamics, AXENT Technologies, Trusted Information Systems e Authentica. Aproximadamente 55% dos habitantes da região possuem um computador e está no 3o lugar como a cidade mais cara dos EUA, atrás somente do Vale e da Califórnia.

A tendência das cidades high-tech se espalha pelo mundo:

Dublin na Irlanda

A informática é a responsável pelo que ficou conhecido como o “milagre irlandês” A Irlanda, um dos países menos desenvolvidos da Europa, é hoje a nação da União Européia com maior taxa de crescimento no PIB -9,5%-, graças às novas tecnologias. Embora a maior parte dos produtos ainda seja desenvolvida nos EUA, a Irlanda exporta US$ 3,3 bilhões anuais em software e emprega mais de 25 mil trabalhadores nessa indústria. Nos arredores de Dublin, empresas como a Microsoft, IBM, Oracle, Corel, Novell e Informix já montaram suas sedes para o mercado europeu.

Tel Aviv em Israel

Em Israel são criados softwares que você conhece bem, como o ICQ ( o programa de maior popularidade da internet), e outros que você nem sabe que usa. Empresas como a BMC também desenvolvem seus produtos lá.

Tel Aviv tem um dos centros tecnológicos mais importantes do mundo: Qiryat Atidim (Cidade do Futuro). Lá, em vez de rabinos, só se vêem jovens com jaquetas e calças jeans.

Nos últimos anos, Israel vem patrocinando a indústria de alta tecnologia com sucesso. Em 1999, as exportações de produtos eletrônicos alcançaram US$ 7,2 bilhões, cifra que representa 80% das vendas. Cabe destacar ainda o fato de que em 94 o escritório de representação comercial da embaixada israelense se instalou no coração do Vale do Silício.

A qualificação dos trabalhadores foi uma das melhores jogadas. Exemplo disso são os 700 mil imigrantes, a maioria engenheiros, que chegaram ao país no começo dos anos 90 vindos da ex-União Soviética. Quase todos foram aproveitados. E mais. O fato de o país ter 130 cientistas para cada 10 mil habitantes, contra 80 nos Estados Unidos e 75 no Japão, permitiu levar adiante esse rápido crescimento que, de outra forma, não teria sido possível.

Bangalore, na Índia

A capital do estado de Karnataka é hoje a quinta maior cidade da Índia. Chamada a Cidade Jardim pela quantidade de flores que possui, é também um jardim de programadores. A Microsoft possui um centro de programação lá.

A qualificação dos engenheiros indianos é conhecida em todo o mundo, entretanto poucos sabem sobre a existência de cidades como Hyderhabad, um foco de desenvolvimento tecnológico e que já é chamada de Ciberhabad, onde a Texas Instruments se instalou desde 1986.

Grandes números para os indianos. Atualmente, a Índia é o segundo exportador de software do mundo (US$ 4 bilhões de dólares), só atrás dos EUA. Uma em cada cinco pessoas se tornaram reis da programação graças aos milhares de Centros Estatais de Tecnologia. O celeiro de experts em informática é tamanho que 12% dos cientistas que trabalham nos EUA são indianos, assim como 34% dos empregados da Microsoft e 36% dos da Nasa.

Hsinchu Science-Based Industrial Park, em Taiwan

Em Taiwan encontramos empresas como Umax Data Systems, Acer e todas as do ramo de semicondutores.

Guadalajara, no México

A mexicana Guadalajara (Jalisco) ganhou apelido de Vale do Silício do Sul. Apesar de fabricar pequena quantidade de computadores, espera-se que este ano as exportações de peças eletrônicas alcancem US$ 12 bilhões. A cidade, conhecida fabricante de sapatos, se converteu em peça-chave da produção mundial de tecnologia. Ali, se produzem desde circuitos eletrônicos de computadores Dell ou Compaq e celulares Nokia até microprocessadores das lavadoras e secadoras Whirpool

Ghana, no continente africano

Ainda que pareça utopia, algumas regiões do continente estão sintonizadas com a revolução da Nova Economia. Ghana talvez seja o maior exemplo. Durante anos o governo patrocinou um projeto para informatizar toda a administração e finanças do Estado. O projeto acabou levando a Hewlett-Packard a propor a abertura de uma universidade técnica para formar futuros engenheiros que trabalhem nas empresas que já colocaram os olhos neste pequeno país africano.

Campinas, Brasil

Segundo o ranking da revista americana Fortune, a cidade sedia 50 das 500 maiores empresas de alta tecnologia do mundo. No total são mais de 4,5 mil indústrias instaladas, com destaques para: Motorola, Lucent Technologies, Compaq, Bosch, Nortel, Honda, Ge Dako, MercedesBenz e o Centro de Tecnologia da IBM.

Com mais de 1 milhão de habitantes a região já se transformou no terceiro maior pólo industrial do país, concentrando 9% do PIB nacional. A formação da mão-de-obra serve como atrativo para as empresas de alta tecnologia se instalarem, são 13 centros de pesquisa e universidades como Unicamp, PUC e Unimep. Destaque também para o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telebras (CPqD), maior instituto de pesquisa em telecomunicações da América Latina, com acordos com mais de 15 países e convênios com 11 universidades e fundações de pesquisa; além do Laboratório Nacional de Luz Síncotron (LNLS) - único no hemisfério sul -, vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, assim como a Fundação Centro Tecnológico para Informática, que atua em parceria com a iniciativa privada desenvolvendo pesquisas nas áreas de microeletrônica, software, automação e robótica.

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