Observatório de HIGH-TECH da janelanaweb.com

O dia em que o The New York Times passou a newsletter... em 2014

O fim do Quarto Poder tal como o conhecemos

A revolução "silenciosa" que os grupos de media incumbentes ainda não perceberam retratada num filme futurista sobre os 15 anos após a criação da World Wide Web, intitulado com esta noticia de abertura, de choque: "In the year 2014, The NYT has gone offline. The Fourth Estate's fortunes waned. What happened to the news?"

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de Janelanaweb.com, Fevereiro de 2005

O filme, em inglês, está disponível aqui
Há traduções do "script" em castelhano, basco, polaco e italiano
Entrevista em inglês com Robin Sloan disponível em Gurusonline

A notícia caiu como uma bomba - o The New York Times passou a newsletter em papel para uma elite e já só é lido pela terceira idade. Estamos no ano de 2014. "A imprensa escrita, tal como a conhecemos, deixou de existir" - assim começa um filme a preto e branco de oito minutos programado em "flash" para o Museu da História dos Media, em Tampa Bay, na Florida. Com música de Aaron McLeran, a curtíssima metragem conta a história dos novos media desde 1989 quando foi inventada a World Wide Web. Trata-se de uma provocação aos estrategos dos grupos de media incumbentes imaginada por Robin Sloan e Matt Thompson, dois ex-repórteres "online" do Poynter Institute & News University, na Florida. A tese é simples: a revolução da Web trouxe novos protagonistas na produção e difusão de noticias e de conhecimento que poderão vir a dominar a comunicação social em meados deste século. "O anúncio da Morte do Quarto Estado" é o outro slogan deste filme que Robin Sloan, um economista de formação louco pelo Nintendo, garante ser "mais uma fábula" no que é narrado a partir de 2005.

Mudou o centro de gravidade

O objectivo é apontar tendências e exemplos de cenários do impacto nos media impressos e na televisão do que ocorreu nestes últimos quinze anos desde a invenção da Web. A sequência histórica é conhecida: a criação em 1994 do maior agregador de sempre, a Amazon.com; depois o nascimento do motor de pesquisa Google em 1998; a fundação da TiVo, um novo tipo de televisão (sem o constrangimento do tempo e dos anúncios); o aparecimento dos "blogues" em 1999; a massificação da banda larga em muitos países e a entrada em bolsa do Google no ano passado. O ano de 2004 assistiu, ainda, a outras estreias: o "blogue" foi eleito a palavra do ano, a Sony, a Philips e a E-Ink lançaram o primeiro papel electrónico comercial a partir de uma tecnologia criada no Media Lab nos anos 1990 (e então relatada pela Janelanaweb - LINKAR http://www.janelanaweb.com/sociedad/jacobson.html), a Amazon criou um novo motor de pesquisa ainda mais refinado, o A9.com, e a Microsoft lançou o Newsbot. O que se está a passar, diz o filme de Sloan e Thompson, é "a mudança do centro de gravidade onde as pessoas vão procurar as noticias".

«Há uma mudança do centro de gravidade onde as pessoas vão procurar as noticias» - Robin Sloan.

"Os grupos de media incumbentes estão conscientes da emergência destas ferramentas, mas penso que não olham para elas, ainda, como um desafio ao seu poder. O que pretendemos mostrar no filme é que essas ferramentas podem, num futuro não muito distante, ditar o fim das organizações tradicionais do negócio das noticias, deixando-as com uma audiência residual", explica-nos Robin Sloan. No caso da televisão, o jovem argumentista concede que poderá levar ainda mais tempo a sentir-se a mudança, mas sublinha-nos: "Muita gente ainda ouve as noticias pela TV. Vai durar mais um tempo até que isso mude. A banda larga e os ambientes sem fios vão comandar essa mudança de atitude". A própria publicidade - a alavanca dos media tradicionais - vai mudar à medida que a transição de audiências ocorra.

Um dos resultados desta tendência poderá ser a "convergência" entre motores de pesquisa, agregadores e "newsmasters" (os novos editores de noticias nos novos media). A alcunha desta nova situação em gestação é designada por EPIC (no acrónimo, em inglês, com o simbolismo de épico, epopeia) que dá por "construção de informação personalizada em desenvolvimento". O que poderá gerar consolidação na área dos novos media. "Espero que não assistamos a uma consolidação massiva, como antevemos no filme. Isso seria terrível", adverte Sloan. Entre as várias "fábulas" relatadas pelo filme está uma junção entre a Amazon e o Google, a que, por graça, baptizaram de Googlezon.

Robin Sloan trabalha, desde finais de 2004, na INdTV, uma rede de cabo de São Francisco criada por Al Gore. Enquanto esteve no Poynter Institute, Robin criou em www.poynter.org um mapa de jornalistas independentes e "embutidos" nas forças da coligação aquando da invasão do Iraque em 2003.

Referências:

  • Quem é Robin Sloan
  • Artigo sobre o projecto
  • Robin pode ser contactado por e-mail
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