Projecto internacional na Web 'made in Oporto'

Nasce comunidade de portais pessoais baptizada "Neworldream.com"

Seis visionários portugueses, alguns dos quais largaram os seus empregos, convenceram uma vintena de investidores particulares e lançaram em 2000 uma "comunidade global de negócios" que quer ser pioneira à escala mundial num sistema original de comércio electrónico na base da afiliação e recomendação viral.
Em Setembro de 2000 lançam campanha de registo de "pioneiros" e em 1 de Outubro iniciam operações no "site" www.neworldream.com.
Se foi tocado pelo 'bichinho' das comissões na web através de afiliação e recomendação e quer fazer disso um negócio pessoal, tem aqui a sua oportunidade.

Jorge Nascimento Rodrigues

Cinco milhões de dólares (mais de um milhão de contos) de capital semente, em larga medida português, vão servir, este ano, para lançar publicamente um projecto pioneiro de criação de uma "comunidade global de negócios" virada prioritariamente para o mercado norte-americano.

Este palavrão da gíria do negócio electrónico (que, no original, dá pelo nome de "global business community") pretende ser uma plataforma de agregação de compras, numa primeira fase de uma larga variedade de produtos de consumo (o chamado B2C) e com algumas componentes de comércio entre empresas (designado por B2B), que mistura ingredientes de programas de afiliação e de recomendação viral, em que os participantes ganham, para além de descontos nas compras próprias realizadas, comissões e bónus pelo efeito da rede que ajudarem a criar.

Na origem está um grupo de seis quadros portugueses do Porto, entre os 31 e os 49 anos, que reúnem "um 'cocktail' eclético de competências", na caracterização feita por Viana de Abreu, um engenheiro de computadores, de 40 anos, o rosto de promoção do projecto e CEO da New World Dream, constituída em Abril passado. Tendo gizado a ideia de negócio no início do ano, depois de um estudo dos pontos fracos de projectos parecidos lançados nos Estados Unidos, o grupo de seis fundadores conseguiu mobilizar mais de uma vintena de "business angels", na maioria portugueses, em que se destacam nomes como João Serrenho (da CIN), José Alexandre Oliveira (da Riopele), Manuel Magalhães e Martin Norton dos Reis. Grande parte, inclusive, destes capitais foram atraídos mesmo depois do efeito psicológico do mini-"crash" no NASDAQ das empresas "dot-com".

O "bichinho" comissionista

O objectivo central desta comunidade na Web é conseguir mexer com o "bichinho" do negócio pessoal em rede, convencendo o utilizador mais activo de que se pode profissionalizar num negócio próprio que vive dos esquemas de recomendação e de afiliação, que se multiplicaram como vírus na Web, desde as iniciativas pioneiras da Amazon.com (com o seu programa de afiliação através de "links") e de comissões por via de recomendação através de campanhas de "e-mail".

Esse tipo de utilizador com mais "faro" para o negócio electrónico em rede - que pode ser um particular ou mesmo uma empresa -, a quem designam por "parceiro independente", pode alojar a sua própria plataforma de negócio viral através de um portal personalizado e obter motivação e formação com base em ferramentas de software de escritório "on-line" e de gestão do conhecimento criadas pelos especialistas da New World Dream. Para estes parceiros criaram, inclusive, um sistema próprio de "PRP" ("Partner Relationship Management") para a gestão da relação com eles.

Estando a acompanhar, a par e passo, os movimentos dos projectos parecidos já existentes - como o Quixtar.com, ligado originalmente à Amway, e o Spree.com -, Viana de Abreu demonstra algumas das vantagens que introduziram na plataforma que vão lançar: uma maior agregação de funcionalidades com valor acrescentado, uma oferta mais global (menos "americanizada") e um ambiente multi-linguístico, com o lançamento, nomeadamente, de um "e-mail" com tradução automática (no começo, com seis línguas, mas que irá até às 18) e de uma rádio "on-line" (em inglês, para já) de apoio ao negócio. Com um "site" na Web em "contagem decrescente" (www.neworldream.com) desde Julho 2000 para a abertura de operações em 1 de Outubro próximo, o projecto vai começar, em breve, uma campanha de "pioneiros" que pretende levar ao registo de várias dezenas de milhar de parceiros independentes até Janeiro de 2001, o que permitirá arrecadar mais um milhão de contos de receitas para alimentar o projecto.

Visão metanacional

Apesar de manter a estrutura central no Porto, o projecto definiu-se, de raíz, como metanacional, pretendendo inclusive "que 50% das suas receitas se centrem no mercado norte-americano e 25% na Europa, em particular no Reino Unido e na Alemanha", refere-nos o nosso interlocutor. O projecto conta com uma escritório em Londres para funcionar como plataforma de vendas e com outro na Wall Street em Nova Iorque.

Outros casos de firmas metanacionais de raiz portuguesa
Altitude Software (ex-Easyphone) | Swear

Para conseguirem um efeito de imagem nestes mercados exigentes, a empresa portuguesa vai lançar uma campanha de marketing apoiada em mega-eventos mediáticos e outras iniciativas que "unam, sempre, as virtualidades do marketing clássico, do marketing na Web e do marketing viral e de permissão - o que nós designamos por estratégia de marketing tridimensional", sublinha Viana de Abreu. A factura de marketing vai ser, nesta fase inicial, pesada - para um investimento global de 7 milhões de contos (35 milhões de dólares) até final de 2001, a promoção vai "comer" mais de 85% deste orçamento e cerca de 22% das receitas próprias estimadas até final do próximo ano.

Podendo ser considerado por alguns analistas de mercados como contendo algumas projecções muito optimistas até final de 2001 em utilizadores - mais de um milhão de parceiros activos com portais pessoais, mais de dois milhões de associados e mais de seis milhões de registados - e em facturação própria (126 milhões de dólares, cerca de 25 milhões de contos), Viana de Abreu responde que "pela análise deste tipo de mercado, há uma taxa de adesões muito rápida". Aos cépticos sobre a lucratividade das "dot-com", o plano de negócios do projecto contra-argumenta que a empresa será lucrativa, em termos operacionais, já em 2001.

O sustentáculo destas receitas crescentes não está no residual de comissões sobre as transações efectuadas, mas na entrada para o clube por parte dos parceiros independentes que comprarão o "software" necessário (o que poderá variar entre 50 e 250 dólares) e na venda aos utilizadores de outros produtos digitais próprios, como ferramentas de motivação e formação, livros electrónicos, cartões de crédito virtuais, etc.. No conjunto, e até final de 2001, este tipo de serviços e aplicações gerarão mais de 80% das receitas.

Os proponentes do Neworldream.com não estão receosos da "clonagem" futura ou da reacção dos projectos já existentes que se posicionaram em segmentos próximos: "Pretendemos tirar proveito de sermos os primeiros e tentaremos conservar essa vantagem de «first mover»", conclui Viana de Abreu.

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