Internet 'vence' jornais

Em apenas cinco anos, nos Estados Unidos, a Internet passou de sétimo lugar no 'ranking' do tempo dedicado aos 'media' por um adulto durante a semana para a quarta posição, aproximando-se das horas ocupadas a ver programas de canais da televisão por cabo.

Jorge Nascimento Rodrigues

Segundo um estudo agora divulgado pela World Future Society, uma associação internacional de futurólogos, na edição de Agosto/Setembro de 1998 da sua revista The Futurist com base em estudos de mercado da FIND/SVP (hoje pertencente à Cyberdialogue) e da Veronis, Suhler & Associates, este perfil de 'consumo' dos media poderá estender-se, nos próximos anos, a todos os países, regiões e zonas urbanas mais desenvolvidas, à medida que a televisão por cabo e a ligação à Internet se vá massificando.

No ano passado, as horas semanais à frente do computador trocando correio electrónico, conversando nos 'chats' ou navegando na World Wide Web já somavam, em média, perto de uma dezena, colocando o 'consumo' da Net muito à frente da audição de música gravada (particularmente CDs) e da leitura de jornais, livros e revistas (ver quadro).

CONSUMO DOS MEDIA NOS EUA
(Horas por semana em adulto)
Meios 1992 1994 1997 97-92
Rádio 22,1 21,2 21,0 -1,1
TV 20,6 21,0 19,7 -0,9
TVCabo 8,4 9,0 11,3 2,9
Internet 1,8 4,3 9,1 7,3
Ouvir musica gravada (CDs,etc) 4,5 5,6 5,7 1,2
Jornais 3,3 3,3 3,0 -0,3
Livros 1,9 2,0 2,0 0,1
Revistas 1,6 1,6 1,7 0,1
Total 64,2 68,0 73,5 9,3
Fonte: Cyberdialogue e Veronis,Suhler & Associates

No conjunto, o tempo dispendido a ler este último bloco de conteúdos impressos já é significativamente inferior ao uso da Internet. O que representa o definitivo arrumar do material impresso no fim da lista de 'consumos' de media, o que pode provocar, segundo os analistas, uma reavaliação global do papel destes meios impressos como veículos privilegiados de conteúdos e de marketing.

O ponto de viragem deu-se em 1994, quando a Net passou a ocupar ao americano mais tempo, em média, do que a leitura dos jornais. Os anos de 95 e 96 acelarariam o passo, certamente com a massificação trazida pelos 'browsers' da Netscape e mais tarde da Microsoft.

Segundo os analistas, a 'confiança' na capacidade de atração de clientelas fieis «pró-activas» pelo novo meio já conduziu a uma revisão das próprias políticas de publicidade e patrocínios na Web. O mais recente acordo entre a Netscape e o Citibank, que vai patrocinar e remodelar, em breve, o canal de Finanças Pessoais do Netcenter da Netscape (http://www.netscape.com/finance/index.html), prevê que o banco mais popular da América, para além de uma soma anual pré-acordada, pague por 'performance' e não por medição de tráfego global do 'sítio' ou impressões nas tarjas de publicidade. A 'performance' será medida pelo número real de novos clientes que o Citibank obtenha através da porta de entrada da Netscape. As verbas envolvidas não foram divulgadas.

Mais horas ouvindo e vendo

Globalmente, a entrada da Internet e da televisão por cabo no lar americano correspondeu a um aumento semanal das horas ocupadas consumindo 'media'. Nos últimos cinco anos, foram estes dois meios, juntamente com a audição de música gravada, que provocaram um aumento liquído de nove horas - de pouco mais de 64 horas semanais em 1992, ou seja 57 por cento do nosso tempo acordado, para cerca de 74 horas em 1997, representando 65 por cento!

BLOCO PERDEDOR
(Número de horas perdidas)
Rádio 1,1
TV 0,9
Jornais 0,3
BLOCO VENCEDOR
(Número de horas conquistadas)
Internet 7,3
TVCabo 2,9
Música gravada 1,2
Livros 0,1
Revistas 0,1

Apesar da rádio e da televisão continuarem ainda bastante à frente da televisão por cabo e da Internet, ocupando folgadamente as duas posições cimeiras com mais de quarenta horas semanais, verificou-se, nestes últimos cinco anos, uma quebra global de duas horas por semana - mais acentuada no caso da rádio.

Entre os 'vencidos' do quinquénio encontram-se, também, os jornais, que perderam ligeiramente a partir de 1995. Curiosamente, os livros e revistas têm conseguido aguentar o embate dos outros 'media' emergentes, tendo inclusive ganho mais alguns minutos de atenção por parte dos leitores. Agressivas políticas de marketing têm conseguido atrair leitores para 'best sellers' ou livros temáticos, e as revistas de especialidade ou de segmento conquistam progressivamente mais público fiel.

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