Cartas de Navegação

por Miguel Monteiro
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Razão e intuição nos negócios

A intuição é entendida como a percepção directa, imediata e clara de uma verdade, sem recurso ao raciocínio. Neste sentido, este mecanismo mental poderá ser considerado contraproducente no mundo dos negócios, onde há uma necessidade constante de delinear estratégias e tomar decisões.

Acontece que, apesar de ser uma reacção espontânea ou quase, a intuição resulta da acumulação de conhecimentos, que depois se interligam e permitem essa tal percepção de uma verdade. Ou seja, a intuição não nasce do nada.
Pelo contrário, ela é fruto da experiência, da formação intelectual, da mundividência do indivíduo. Trata-se, pois, de um processo de compressão e delapidação de saberes, que depois possibilita uma reacção mental perante determinada situação.

Neste sentido, e ao invés do que vulgarmente se pensa, um indivíduo com uma vasta paleta de conhecimentos e experiências reage mais rapidamente a um problema do que um outro com menos "bagagem" intelectual. À partida poderia pensar-se o contrário, pois com mais saber acumulado o indivíduo tem um leque de escolhas mais amplo, logo supostamente mais dificuldades em decidir. Mas aqui entra a intuição, que permite uma reacção rápida mas escudada, ainda que inconscientemente, numa bem urdida teia de conhecimentos.

Como nas sociedades modernas tudo se desenvolve a ritmo vertiginoso, a intuição assume uma importância considerável no modus vivendi contemporâneo, em particular no volátil mundo dos negócios. Actualmente, um empresário está muitas vezes sob pressão, tendo de decidir num curto espaço de tempo. A conjuntura empresarial muda tão depressa que obriga as empresas à adaptação constante a novas realidades e, por conseguinte, à escolha, célere e coerente, de opções muito diversas.

Conhecimento consciente

Daí que seja indispensável cultivar a intuição. Para tanto, o indivíduo terá de criar em si o que eu chamo de "conhecimento consciente". Ou seja, deve ter a preocupação de absorver mais e mais informação, para depois poder desenvolver conceitos, noções, entendimentos da realidade. Este processo vai-lhe possibilitar a concretização de raciocínios conscientes, mas também o desenvolvimento das suas capacidades intuitivas.

A intuição está, por isso, ligada a matérias ou assuntos sobre os quais temos um "conhecimento consciente", seja por gosto pessoal, obrigação profissional ou outros motivos. No âmbito de uma determinada temática que nos é cara, conseguimos, perante um problema e um número ínfimo de pistas, escolher um determinado rumo de acção. Podemos não saber de forma cabal que consequências terá a nossa decisão, mas não decidimos totalmente às escuras.
Sabemos que, à luz dos conhecimentos que possuímos, temos algumas possibilidades de produzir o resultado esperado. Se não conhecemos bem o caminho a seguir, pelo menos pressentimos que os outros caminhos possíveis não são os mais correctos. Tudo isto de forma inconsciente, sem intervenção, portanto, de um pensamento rigorosamente racional.

Ora, o que aconteceu no dealbar da Nova Economia foi precisamente o contrário. Como não havia uma rede de conhecimentos bem estruturada, era difícil antever resultados ou chegar a conclusões definitivas. A experiência empresarial anterior revelou-se então insuficiente, pelo que as decisões foram tomadas com pouca sustentação cognitiva ou mesmo empírica. Deram-se tiros no escuro, cometeram-se erros brutais, pois nem sequer havia capacidade intuitiva para solucionar os problemas ou delinear estratégias.

Mas não basta a capacidade intuitiva

Mas se a intuição é importante, nomeadamente no frenesim da Nova Economia, ela não deve tolher a gestão racional, reflectida e planeada dos negócios. Ou seja, uma boa capacidade intuitiva é indispensável em momentos de pressão - os quais, por norma, constituem situações excepcionais.

A intuição não pode ser a regra, mas tão-só uma solução esporádica, a que se recorre por claro instinto de sobrevivência. Sempre que for possível, a conduta mais adequada será ponderar bem as questões e decidir de forma absolutamente fundamentada.

Neste sentido, é bastante útil a elaboração de um Plano de Negócios (business plan). Esta é a melhor forma de organizar ideias e detectar lacunas, tarefas que mentalmente são muito difíceis - para não dizer impossíveis! - de realizar. Se, por exemplo, tiver de ordenar vinte objectivos, será muito mais simples fazê-lo recorrendo a papel e lápis do que só de cabeça.

Nos negócios acontece precisamente o mesmo. Ao colocarmos os dados no papel e os relacionarmos, nomeadamente através de gráficos, árvores de problemas ou simples tabelas, estamos a utilizar uma metodologia muito eficaz e que se reflectirá no êxito do nosso negócio. De resto, existem estudos que apontam para uma taxa de 80 a 90% de sucesso para os investimentos baseados num Plano de Negócios.

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