Cartas de Navegação

por Miguel Monteiro
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ADSL

A acreditar na Portugal Telecom, o grande entrave à Banda Larga em Portugal não são os preços quase proibitivos da assinatura mensal de um telefone fixo, mais a mensalidade da ligação ADSL, nem tão pouco o monopólio exercido por essa mesma empresa. Não, afinal estamos todos enganados: o problema está no preço praticado pelas empresas que vendem computadores. Vai daí, a PT, qual Robin dos Bosques, propõe-se a, com ajuda do governo, adquirir um grande número de unidades e a oferecer máquinas já preparadas para aceder em banda larga.

Uma vez mais, começamos a construir a casa pelo telhado. É certo e sabido que quantos mais computadores, mais potenciais clientes para a Internet, mas também é um dado adquirido que qualquer empresa consegue oferecer computadores abaixo de 500 Euros (prestação de 500 euros / 12,50 em 48 meses). Ora, mesmo para quem não sabe fazer contas, esta prestação é muito mais baixa do que uma assinatura da tv cabo ou do ADSL. E, note-se, que esta prestação é limitada temporalmente (por quatro anos no máximo), enquanto que o vínculo à PT é, até ver, eterno.
Daqui se concluí que é um obstáculo maior à difusão da Banda Larga o preço da comunicação, do que o preço dos computadores.

Será que a PT não está a desfocar-se do assunto principal que é - volto a frisar - o monopólio (e os seus perigos) das comunicações?

A questão do preço dos computadores é uma manobra de diversão da PT: quem não pode pagar uma prestação baixa para comprar um computador, pode pagar sempre uma ligação de banda larga ou mesmo uma ligação normal?

Esta manobra de diversão da PT parte do princípio que o sector informático está a ser mal gerido. Este pressuposto é, além de arrogante, insultuoso e revela um profundo desconhecimento da economia de mercado. O sector informático é talvez o mais vivo do mercado, com mais baixas taxas de lucro e quem não for competitivo é esmagado pela concorrência. A PT, e por arrastamento, o governo, parte-se do princípio que o mercado não funciona.
O facto de o governo ajudar os lares desfavorecidos a adquirirem computadores a preços convidativos é salutar. O risível da situação é que em vez de se ajudar, de facto, o consumidor final, insulta-se o mercado, pondo-se a PT a vender computadores!

Se o governo quer ajudar as pessoas a ter computadores, deve deixar funcionar as regras do mercado, ajudando o consumidor final. Note-se que os benefícios fiscais agregados ao facto de se adquirir material informático acabaram.

A PT devia investir mais em soluções verdadeiramente criativas, fornecendo, por exemplo, através da tv cabo, uma solução de banda larga mais barata(bloqueando o acesso aos canais televisivos) em vez de iludir o público com soluções falaciosas como o ADSL light que apenas dá direito a 10 horas de utilização mensal...

Mais importante do que ter banda larga é ter acesso à Internet, e nem todos os que possuem computador estão ligados à rede, quanto mais à banda larga.

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